A região de Lisboa e Vale do Tejo continua a ser de longe a região do país com o maior aumento de novas infeções pela covid-19. Depois de se reunir com os presidentes de câmara dos cinco concelhos mais afetados pela pandemia, o primeiro-ministro anunciou novas medidas para toda a Área Metropolitana de Lisboa (AML), e um reforço das regras de vigilância para 15 freguesias dos concelhos de Amadora, Loures, Odivelas, Sintra e Lisboa.
Estas medidas passam pelo regresso da proibição de ajuntamentos com mais de dez pessoas, depois de terem sido recentemente autorizados os ajuntamentos com 20 pessoas, o reforço da fiscalização de centros comerciais e o encerramento geral dos estabelecimentos às 20h00, exceção feita aos restaurantes, unicamente para serviço de refeições. Depois dessa hora não poderão ser vendidas bebidas alcoólicas.
Haverá também mais agentes nas ruas, para “ação pedagógica” mas também para passar multas, “em caso de necessidade”. António Costa anunciou ainda maior fiscalização da construção civil ao nível dos estaleiros e do transporte de trabalhadores.
De acordo com o PÚBLICO, foi ainda anunciado que o presidente da Área Metropolitana de Lisboa, Fernando Medina, deverá “negociar já” o reforço dos transportes rodoviários na região, uma negociação cujas verbas estão contempladas no Orçamento Suplementar em aprovação no Parlamento.
Além destas medidas, foi ainda anunciado que o estado de calamidade se vai manter nos concelhos da Amadora e Odivelas, assim como em algumas freguesias mais afetadas de outros concelhos. De acordo com o primeiro-ministro, citado pela agência Lusa, duas dessas freguesias estão localizadas no concelho de Loures, “Camarate, Unhos e Apelação, e Sacavém e Prior Velho”, remetendo as restantes freguesias para mais tarde. No total serão 15 as freguesias da AML onde as medidas de vigilância serão agravadas.
As novas medidas, que entram em vigor às zero horas de terça-feira, 23 de junho, depois de aprovadas em Conselho de Ministros electrónico, terão duas dimensões: criação do programa “Bairros Saudáveis” para desenvolver projectos comunitários de reforço e prevenção nas áreas comunitárias mais afetadas, com uma articulação mais forte entre municípios e autoridades de saúde, tendo em vista diminuir os prazos de notificação de resultados laboratoriais e dos inquéritos epidemiológicos. Além disso haverá um reforço do acompanhamento médico.
Além destas medidas o primeiro-ministro referiu ainda uma aposta na georreferenciação, de modo a monitorizar melhor a situação de potenciais contágios.
Grande Lisboa continua a liderar tabela das novas infeções
De acordo com o boletim da situação epidemiológica divulgado hoje pela Direção Geral de Saúde (DGS), na região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) foram reportadas 164 das novas infecções diárias, 63,3% dos casos registados no país. Apesar de esta ser a menor percentagem das últimas semanas na região, LVT continua a ser a região do país com o maior número de novas infecções diárias.
Na região Norte foram registadas 71 novas infeções, 27,4% dos casos (a maior percentagem das últimas semanas), enquanto na região Centro há 14 novos casos, representando 5,4% do total. O Algarve registou oito novos casos, representando 3%, e no Alentejo dois novos casos, representando 0,8%.
Também esta segunda-feira, a Organização Mundial de Saúde registou um recorde de casos diários de covid-19. Nas últimas 24 horas contabilizaram-se 183 mil novos contágios. Este foi o maior aumento de contágios no espaço de 24 horas.