Segundo o arcebispo, o acampamento dos “Indignados” nas imediações da Catedral de S. Paulo, em Londres, “traduz a exasperação generalizada das pessoas em relação ao mundo da finança” e “o sentimento, fundamentado ou não, de que toda a sociedade paga pelos erros e responsabilidades dos banqueiros”.
Centenas de pessoas acampadas em mais de 200 tendas protestam desde 15 de Outubro junto à Catedral de S. Paulo, no coração da City, em Londres, contra a situação económica, social e política influenciada pelos interesses financeiros no quadro dos movimentos de “Indignados” em numerosas cidades do mundo, incluindo Nova Iorque.
A posição do arcebispo é a primeira assumida pelo mais alto dignitário da igreja oficial de Inglaterra e foi publicada quarta-feira no diário Financial Times. “É tempo”, diz Rowan Williams, “de ser mais preciso nas respostas a dar à situação financeira, apoiando-nos num documento publicado pelo Vaticano na semana passada e que recomenda uma estrita separação das actividades de pormenor e de negócios dos bancos, uma recapitalização dos bancos e a adopção da Taxa Tobin sobre as transacções financeiras”. O arcebispo lembra que esta taxa mínima de 0,05% sobre acções, obrigações e transacções de divisas para investir na economia real é defendida “por um número significativo de especialistas”, citando a propósito George Soros e Bill Gates.
A manifestação de “Indignados” junto à Catedral de S. Paulo provocou divisões na Igreja Anglicana e já provocou a demissão de três altos dignitários, entre eles o deão da própria catedral, muito criticado por ter defendido a abertura de um processo para desalojar os manifestantes. Essa hipótese foi abandonada e a declaração do arcebispo de Cantuária é interpretada como uma tentativa de pacificação do assunto com a continuação do protesto no local em que está a ser realizado.
Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu