Fábrica de calçado

Ara Shoes volta a despedir: mais de 300 trabalhadores em cinco meses

03 de julho 2024 - 11:37

A multinacional alemã despediu em março 130 trabalhadores e agora mais 180 até outubro, fechando por completo a sua secção de linhas de costura da fábrica de calçado de Seia.

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Fábrica da Ara Shoes
Fábrica da Ara Shoes. Foto do Google Maps.

Depois de ter anunciado o despedimento de 130 trabalhadores em março, invocando a redução de seis para três linhas de costura na sua fábrica de calçado de Seia, no distrito da Guarda, a multinacional alemã Ara Shoes anuncia agora o encerramento total desta secção e o despedimento de mais 180 até outubro.

De acordo com a Lusa, trabalhadores e município foram informados da decisão na passada sexta-feira. O presidente da autarquia, Luciano Ribeiro, deu conta de que a explicação avançada teria sido uma alteração tecnológica da produção tradicional para métodos de injeção. Disse ainda estar a acompanhar “com preocupação” a situação, mas afirmou confiar nas garantias dadas pela empresa de que “há um reforço para o futuro para a manutenção da empresa, concentrando aqui tudo o que são serviços logísticos e armazém de exportação na Europa. E também o reforço e investimento na secção de injeção e em novas formas de produzir o calçado.”

Já em março tinham sido apresentados “motivos de natureza tecnológica e estrutural”. Mas a justificação, de acordo com uma comunicação aos trabalhadores a que o Seia Digital teve acesso, não se ficava por aí. A fábrica tinha vindo a proceder a um “reajustamento” nos meses anteriores, tendo sido encerradas as secções de solas e pintura e havido despedimentos na de montagem. Para além disso, “cerca de 200 trabalhadores estiveram em casa dois meses a aguardar por novas encomendas, que não aconteceram” escrevia então o jornal local.

Fazia-se referência à “adversa situação económica” na Alemanha, derivada de guerra na Ucrânia e ao fim das exportações para a Rússia, “um mercado onde a Ara Shoes tinha vendas robustas” e explicava que nos meses de fevereiro e março, a produção de sapatos tradicional “viu-se obrigada a parar, por falta de encomendas, sendo apenas retomada em abril, com menor capacidade instalada”. Também se dizia ter estado a proceder ao longo dos meses precedentes “por acordo” a diminuição do quadro de pessoal prevendo-se que o “decréscimo das vendas” fosse fazer com que mais ficassem “em situação de inatividade, a quem deixará de ser possível a atribuição de quaisquer outra funções”.

A fábrica de Seia, a única da multinacional em Portugal neste momento, começou a laborar em 1991, remontando a presença da empresa no país a 1974. Houve mais duas fábricas, em Vila Nova de Gaia, que chegaram a empregar mais de mil trabalhadores, mas que fecharam entre 2006 e 2009.

Com sede em Langenfeld, o grupo fundado pela família Röseler tem gerido diferentes marcas de calçado como a ara, Lloyd, Salamander, Legero, Think!, Superfit, Lurchi. Tem fábricas na Alemanha, Áustria, Portugal, Indonésia, Roménia, Índia e Ucrânia e presença em 70 países.

No final de junho do ano passado, foi anunciada a separação do grupo das atividades de retalho da Salamander Austria e Delka. Na Áustria, procedeu-se então ao despedimento coletivo de 200 trabalhadores da Salamander e de 100 da Delka.

No início deste ano, foi conhecida a venda da marca Lloyd à suíça Arklyz.

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