A aplicação Devolutos, disponível em Android, iOS e em versão web, alargou o seu raio de ação a mais quatro cidades portuguesas. Para além de Lisboa e Porto, passa a ser possível mapear casas vazias em Coimbra, Braga, Évora e Faro. Os criadores da aplicação anunciaram “um novo passo na construção de um mapa nacional das casas devolutas”, uma vez que o problema “não é exclusivo das grandes metrópoles, mas atravessa todo o território”.
Habitação
Devolutos: a app que denuncia casas vazias e gerou contestação dos proprietários
"Num país onde milhares de casas permanecem vazias nas mãos de grandes proprietários enquanto a crise da habitação expulsa cada vez mais pessoas das suas cidades, tornar este fenómeno visível é uma responsabilidade cívica”, afirma Nelson Vassalo, porta-voz e cofundador da iniciativa.
Esta iniciativa tem vindo a crescer graças à participação cidadã e pretende contribuir para tornar o fenómeno “mais visível, mensurável e discutido no espaço público”. Trata-se de uma iniciativa não comercial, não governamental e sem fins lucrativos, e que não recolhe dados pessoais nem identifica proprietários.
“O objetivo é simplesmente mapear o abandono urbano visível no espaço público e contribuir para uma discussão informada sobre o uso do parque habitacional existente”, referem os criadores da Devolutos.
A Associação Nacional de Proprietários veio inadvertidamente contribuir para o sucesso desta app, ao ameaçar com processos judiciais e classificar o mapeamento de edifícios devolutos através da app como “ilegal”. "Se mostrar casas devolutas incomoda alguns interesses instalados, isso só confirma a utilidade pública da ferramenta que estamos a desenvolver", responde Nelson Vassalo.
Casa para Viver
Mais de 50 organizações convocam nova manifestação pelo direito à habitação
Os criadores da app recordam que “fotografar fachadas visíveis da via pública é legal, uma prática comum em plataformas amplamente utilizadas como serviços de mapas digitais”. Com esta aplicação, qualquer pessoa pode fotografar casa ou edifícios devolutos a partir da rua, associá-las a uma localização geográfica e assim contribuir para um mapa colaborativo de imóveis vazios, tornando-se “num ativista contra o abandono urbano”, afirmam.
Numa altura em que a crise da habitação se agrava e as respostas do Governo só têm contribuído para acelerar o aumento do preço das casas, dezenas de organizações convocam manifestações este sábado, 21 de março, em 16 cidades no âmbito da plataforma Casa para Viver.