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“Apoiar, contratar e requisitar: são estas as obrigações do Governo”

Pedro Filipe Soares destacou que, “nestas três prioridades, o Governo tem feito pouco e chegado tarde”. O líder parlamentar do Bloco alertou que “há pessoas desde março à espera dos apoios prometidos”.
Pedro Filipe Soares. Foto de António Cotrim, Lusa.

No debate parlamentar desta quarta-feira sobre a renovação do Estado de Emergência, Pedro Filipe Soares assinalou a existência de um “aumento muito significativo de casos que, se não for travado, colocará em causa as respostas de saúde à população”. “Hoje é mais visível do que antes a necessidade de um novo Estado de Emergência”, frisou.

O Bloco não é contra esse pedido, como já não o foi no passado: “Levamos a sério a informação dos especialistas e já todos percebemos que há sacrifícios a fazer para travar a propagação do vírus, para nos defendemos a todas e a todos. Não é isso que nos separa do Governo nem da proposta que hoje aqui debatemos. O que não compreendemos é porque têm tardado tanto as respostas óbvias a este momento tão exigente”, explicou o dirigente bloquista.

Pedro Filipe Soares sublinhou que “a cada declaração de Estado de Emergência eram pedidas três coisas ao Governo: Apoiar, Contratar e Requisitar”.

“Apoiar a economia e as pessoas, os setores de atividade que são afetados pelas restrições e as pessoas que veem o seu emprego em causa e os seus rendimentos. Contratar os meios necessários para garantir que a resposta do Estado não falha, seja no Serviço Nacional de Saúde, seja na Escola Pública e nos restantes serviços do Estado. Requisitar os meios privados da saúde sempre que o país necessite deles para garantir o funcionamento do SNS e a saúde para todos”, apontou o líder parlamentar do Bloco.

De acordo com Pedro Filipe Soares, “nestas três prioridades o Governo tem feito pouco e chegado tarde. Não preveniu como devia, não antecipou o que era necessário e tem permanentemente corrido atrás do prejuízo”.

"Governo tem falhado na aplicação dos Estados de Emergência”

“É isso que explica porque não temos votado a favor dos Estados de Emergência e porque também não o faremos desta vez: porque o Governo tem falhado na aplicação dos Estados de Emergência”, vincou.

O líder parlamentar do Bloco lembrou que “há pessoas que ainda não receberam os apoios prometidos no confinamento de Março passado”. “Dez meses depois, a maioria das pessoas e das empresas já não têm reservas. Falhar nos apoios necessários é deixar a crise avançar. A destruição da economia levar milhares de empregos é deixar as pessoas para trás desprotegidas”, continuou.

“Falhar na proteção da economia e do emprego é um erro que pagaremos muito caro, não pode acontecer”, alertou Pedro Filipe Soares.

O dirigente bloquista fez também referência às contratações a “conta-gotas” no Serviço Nacional de Saúde: “Tantos meses passaram e as contratações são a conta-gotas. As vagas sucedem-se e o Governo tarda sempre a contratar, sabendo que o cansaço se vai acumulando”.

No que respeita às escolas, Pedro Filipe Soares manifestou a sua incompreensão face ao facto de os prometidos computadores e tablets ainda não terem chegado em número suficiente e de as escolas não terem sido reforçadas com professores e assistentes operacionais para garantir o funcionamento em pleno e em segurança.

“E tantos meses depois, porque ainda se discute a possibilidade de requisição dos privados da saúde, dando um tratamento de privilégio a este setor privado quando se pede tanto ao resto da economia? Requisitar e pagar o preço de custo não é exploração, é garantir ao SNS todos os meios necessários para que ninguém fique sem resposta”, acrescentou.

Pedro Filipe Soares considera que, “para todas estas perguntas há, pelo menos, uma suspeição: que o Governo, neste momento tão difícil, não está empenhado como devia em minorar os efeitos da pandemia na economia e na vida das pessoas. Porventura porque não quer gastar o necessário. Mas isso é absolutamente incompreensível, ainda mais quando percebemos que o Governo não tem ido buscar o dinheiro onde ele existe”.

“Elisa Ferreira, comissária europeia, indicada pelo governo do Partido Socialista, dizia no início da semana que ninguém precisava de ficar à espera do dinheiro da bazuca europeia, porque esse dinheiro já cá está”, lembrou o dirigente do Bloco.

“Porque não faz então o Governo o que é necessário? Porque tem atrasado tanto o inevitável, sabendo que isso tem custos profundos para as pessoas e a economia? O mandato que o Governo leva daqui é simples: Apoiar, Contratar e Requisitar. Que não falhe novamente o Governo nestas urgências do país”, rematou.

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