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Ano de 2020 será provavelmente o ano mais quente de sempre

Apesar da diminuição da poluição devido à paragem de atividades económicas, há 99,94% de probabilidades deste ano ser um dos 5 anos mais quentes e 75% de ser mesmo o ano mais quente desde que há registos.
Miudos a brincar numa fonte em Portland, EUA.
Miudos a brincar numa fonte em Portland, EUA. Fotografia por Peter Roome/Flickr.

O clima "anormal" é cada vez mais a norma, pois os registros de temperatura caem ano após ano e mesmo mês após mês. Para o ano de 2020, um estudo da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration dos EUA) indica que a probabilidade deste ser o ano mais quente desde que há registos é de 75%.

Mesmo que não seja o mais quente, a probabilidade de ser um dos 5 anos mais quentes desde que há registos é de 99,94%. Mesmo assim, se isto não se confirmar, a probabilidade de ser um dos 10 anos mais quentes (novamente, desde que há registos) é superior a 99,99%.

A mesma agência indica que as tendências estão a acompanhar as tendências de 2016, ano em que as as temperaturas subiram no início do ano devido a um El Niño extremamente intenso, fazendo com que esse fosse o ano mais quente alguma vez registado.

As previsões do Instituto Goddard de Estudos Espaciais indicam que este ano há a probabilidade de 60% de este ano bater os máximos de temperatura para uma série considerada desde 2015 até 2020, o período mais quente registado no planeta.

O ano começou "promissor" neste sentido. O mês de Janeiro foi o mais quente alguma vez registado, deixando várias capitais do Ártico sem neve, pode ler-se no Guardian. De acordo com os registos da NOAA, a temperatura no mês de janeiro desde ano nesta região foi 0,02º C superior ao mês de janeiro de 2016. O mês de fevereiro não foi indiferente a este crescendo e numa base na Antártica foi registado pela primeira vez uma temperatura superior a 20ºC. Enquanto na ponta norte, em Qaanaaq,  Groenlândia, foi estabelecido um recorde de 6ºC em abril no passado domingo.

Desde Janeiro até à presente data, o aumento na temperatura foi notado em várias partes do globo. Nos três primeiros meses, o aquecimento foi mais pronunciado no leste da Europa e Ásia, com temperaturas médias superiores a 3ºC. Recentemente no centro de Los Angeles foram registadas temperaturas máximas de 34ºC, em Abril e mesmo na Austrália Ocidental foram registadas as maiores temperaturas de sempre. No Reino Unido, a tendência é menos pronunciada mas ela existe. A temperatura máxima diária do Reino Unido durante o mês de abril foi até 3,1°C acima da média. Portanto, o padrão de aumento de temperatura é registado em várias latitudes do globo, não podendo ser entendido como um fenómeno único e localizado.

Karsten Haustein, investigador na Universidade de Oxford, referiu que o aquecimento global está a atingir temperaturas de cerca de 1,2ºC superiores aos níveis pré-industriais, pode ler-se no Guardian. Com esta crise pandémica global as emissões podem diminuir mas as concentrações continuam a aumentar. A crise climática continua "inabalável", afirmou Haustein. “As emissões diminuirão este ano, mas as concentrações continuam aumentando.

"É muito improvável que possamos notar qualquer desaceleração no aumento dos níveis atmosféricos de GEE (Gases de Efeito Estufa). Mas agora temos a oportunidade única de reconsiderar as nossas escolhas e usar a crise do corona-vírus como um catalisador para meios mais sustentáveis de transporte e produção de energia (por meio de incentivos, impostos, preços de carbono etc.)”, disse Karsten Haustein.

Grahame Madge, porta-voz do Met Office corroborou esta ideia. “A confiança na ciência para informar os governos e a sociedade para solucionar uma emergência global são exatamente as medidas necessárias para planear a resolução da próxima crise que a humanidade enfrenta: as Alterações Climáticas."

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