Está aqui

Ambientalistas querem fim de esquentadores a gás natural

Continuação do uso de esquentadores e caldeiras que recorrem aos combustíveis fósseis mina os esforços de redução de emissão de CO2. Se se deixassem de vender em 2025, Europa emitiria menos 110 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano até 2050.
Esquentador a gás. Foto de  Jason Woodhead/Flickr.
Esquentador a gás. Foto de Jason Woodhead/Flickr.

Dezenas de organizações ambientalistas lançaram um apelo para que a União Europeia proíba a venda de esquentadores e caldeiras a gás natural a partir de 2025. O apelo, que surge nas vésperas do “Fórum de Consulta” em que especialistas e representantes da indústria discutirão a proposta da Comissão Europeia de rever o regulamento dos aparelhos de aquecimento ambiente, é também subscrito por associações portuguesas como a Zero e a Quercus, refere a agência Lusa.

Neste momento, mais de 80% dos equipamentos de aquecimento na Europa dependem dos combustíveis fósseis. E, de acordo com estas associações, o fim das caldeiras a gás faria com que fossem emitidos menos 110 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano até 2050.

A União Europeia pretende atingir a neutralidade carbónica até esse ano e tem o objetivo de reduzir até 55% as emissões em 2030. Não proibir a venda de esquentadores e caldeiras a gás natural, como está previsto no projeto da Comissão Europeia, seria estar desalinhado com estes objetivos, defendem os ambientalistas em carta enviada ao vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

A Zero, por exemplo, quer “uma posição ambiciosa da parte de Portugal” sobre o tema e lembra que foi a própria Agência Internacional de Energia quem recomendou esta proibição e que há alternativas como as 13,3 milhões de bombas de calor existentes já no espaço comunitário. Para esta associação. Apesar deste tipo de aquecimento emitir CO2 equivalente ao conjunto dos automóveis que circular na UE, é repetidamente negligenciado.

A Quercus salienta que já há sete países europeus com uma estratégia para descarbonizar sistemas de aquecimento: Suécia, Finlândia, Dinamarca, França, Áustria, Bélgica e Países Baixos. Assim, ao não implementar este tipo de medidas, a UE estaria a “minar os esforços” destes Estados. Portugal, sublinha-se, não concebeu ainda uma estratégia deste tipo.

Termos relacionados Ambiente
(...)