Ambientalistas protestam contra nova exploração de gás no Mar do Norte

10 de junho 2022 - 14:33

O regulador britânico escolheu a noite da véspera do jubileu da rainha para anunciar a luz verde dada à Shell para explorar gás no campo Jackdaw, na Escócia. Ativistas pintaram de vermelho um edifício governamental em Edimburgo.

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Ação de protesto em Edimburgo na quinta-feira. Foto Just Stop Oil

A Queen Elizabeth House foi o alvo dos protestos de um grupo de jovens ativistas do Just Stop Oil em Edimburgo. Na quinta-feira, espalharam tinta vermelha na entrada do edifício, e escreveram que o governo tem "sangue nas suas mãos" ao aprovar o megaprojeto da Shell para explorar gás no Mar do Norte, que tem vindo a ser chumbado por motivos ambientais e foi agora aprovado pelos reguladores.

"Pôr em marcha novas instalações de combustíveis fósseis são os planos de falência moral de um cartel criminoso que protege o petróleo e o gás sobre a vida na Terra", afirmou Alex, um estudante de doutoramento que investiga o uso do hidrogénio como combustível verde. "Foi por isso que o anúncio foi feito na noite da véspera do jubileu da rainha, eles acham que ninguém ia dar por isso, que nós não queremos saber, por isso estamos aqui a mostrar que se enganaram", acrescentou o estudante citado pelo Energy Voice.

Para estes ativistas, o argumento da segurança energética e do aumento do custo de vida não serve para justificar novas infraestruturas de exploração de combustíveis fósseis. Se essa fosse a sua preocupação, "estariam agora a isolar as casas e a investir em renováveis", afirmou Su, estudante de ciência política presente no protesto, exigindo "uma oferta de energia comportável, confiável e que não destrua a economia, que não provoque uma crise de custo de vida e que não destrua o planeta para as próximas gerações".

A petrolífera pretende iniciar a exploração no segundo semestre de 2025 e diz que o campo de Jackside, a leste de Aberdeen, tem potencial para produzir 6,5% do gás do Reino Unido e abastecer quase um milhão e meio de casas. "Estamos a apostar fortemente nas renováveis e no nuclear, mas também somos realistas acerca das nossas necessidades atuais de energia", disse o ministro da Economia Kwasi Kwarteng nas redes sociais.

Citada pela BBC, Ami McCarthy, da Greenpeace, contrapõe que "aprovar Jackdaw é uma decisão desesperada e destrutiva do governo de Johnson, e prova que não existe um plano a longo prazo".