Ambientalistas acusam Governo de atentados contra áreas de conservação da natureza

07 de janeiro 2022 - 17:03

Seis organizações não governamentais de ambiente afirmam que a prática do executivo tem caminhado no sentido inverso das orientações da União Europeia no sentido da descarbonização e conservação da natureza.

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Foto de Movimento em defesa da Mata dos Medos

Numa carta aberta ao ministro do Ambiente e da Ação Climática contra a destruição das áreas de conservação da natureza em Portugal, as organizações não-governamentais de ambiente (ONGA) recordam que “Portugal é o segundo Estado Membro da União Europeia que registou a maior perda relativa de áreas naturais e seminaturais entre 1992 e 2020, de acordo com dados da OCDE”.

Os ambientalistas acusam o Governo, autarquias e até pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. de, nos últimos meses, cometerem  “verdadeiros atentados contra as áreas de conservação da natureza”.

João Garcia Rodrigues
João Garcia Rodrigues

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De acordo com as ONGA, em causa está “o aumento da pressão humana em áreas onde o objetivo principal deveria ser o da manutenção dos ecossistemas que nos permitem preservar a biodiversidade, os solos e os recursos hídricos”.

“De facto, as paisagens naturais são transformadas, por exemplo através da instalação de extensos passadiços ou de baloiços, sem a devida avaliação dos impactos ambientais associados”, escrevem.  

Os seis coletivos defendem uma reaproximação da sociedade humana face à natureza. No entanto, advertem que “as estruturas que apoiam a visitação a áreas de conservação da natureza não podem pôr em causa o seu objetivo principal”, que passa pela “proteção da biodiversidade e da integridade ecológica dos seus habitats”. 

No que concerne à gestão das áreas naturais, os ambientalistas consideram que a vertente economicista tem-se sobreposto, em certos casos, à vertente ecológica. Neste contexto, temos assistido ao agravamento do cenário de perda de áreas naturais, “já muito desfavorável para Portugal no contexto europeu e internacional”.

As ONGA repudiam ainda “brutais operações de corte e trituração de arvoredo” promovidas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, com recurso a financiamentos públicos, comunitários e nacionais. Os ambientalistas apontam que as mesmas potenciam as emissões de dióxido de carbono, comprometem os solos e os recursos hídricos, destroem fauna e flora autóctone e acentuam o risco de incêndio. Quanto ao arvoredo autóctone abatido, consideram que, face à elevada procura de madeira nos mercados, “não está claro se a operação resulta na obtenção de receitas para o Estado ou para entidades privadas, situação que urge ser investigada''.

Exemplos disso são os procedimentos levados a cabo na Mata Nacional do Medos, Reserva Botânica que integra a Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, na Reserva Natural das Dunas de São Jacinto, na Serra da Lousã ou no Paul do Taipal, em Montemor-o-Velho.

As ONG realçam que, enquanto que as diretrizes da União Europeia apontam para a necessidade de descarbonização e de conservação da natureza, a prática do Governo Português tem caminhado no sentido inverso, com altas emissões de gases poluentes, e projetos de construção que promovem o declínio da biodiversidade autóctone e o aumento de espécies invasoras, para além de acentuarem a degradação dos solos e a capacidade de armazenamento de água”.

Para finalizar, as organizações signatárias comunicam o seu apoio à ação pública do próximo dia 8 de janeiro, promovida pelo grupo de cidadãos do Movimento em defesa da Mata dos Medos, que promoverá uma visita às zonas intervencionadas.

Assinam a carta aberta a ACRÉSCIMO - Associação de Promoção ao Investimento Florestal, FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, IRIS - Associação nacional de Ambiente, MILVOZ - Associação de Proteção e Conservação da Natureza e QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza