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Amazoniza-te: Assembleia Mundial pela Amazónia apresenta plano de mobilização mundial

Entre 14 e 28 de agosto, uma semana de mobilização mundial pretende chamar a atenção para os problemas da floresta amazónica e dos seus povos. Os organizadores convidam-nos para entrar “na selva dos nossos sonhos, lutas e resistências” com a “angustiante certeza de saber que não há mais tempo”.
Um dos cartazes de convocatória da Assembleia Mundial pela Amazónia.
Um dos cartazes de convocatória da Assembleia Mundial pela Amazónia.

A primeira Assembleia Mundial pela Amazónia decorreu entre os dias 17 e 19 de julho. Juntou 220 organizações “que representam povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, seringueiros, camponeses, artistas, religiosos, ambientalistas, comunicadores e habitantes das cidades amazónicas”.

Aí foi decidido realizar três campanhas: uma para tentar fazer frente aos impactos da covid-19 “nas populações indígenas, afrodescendentes e de toda a Amazónia”, outra de boicote “a produtos, empresas, investimentos, políticas governamentais, acordos comerciais e extrativismos que destroem a Amazónia e uma terceira que consiste num “plano de mobilização mundial” para lutar contra as atividades que devastam a floresta “principalmente as queimadas, mas também o garimpo, a mineração, a criação de gado e a exploração petrolífera – e pela saúde de seus povos, brutalmente afetados pela covid-19”.

Entre os dias 14 e 28 de agosto, uma série de iniciativas vão ocorrer em todo o mundo. No próximo dia 14, começar-se-á por exigir medidas por parte dos nove governos dos países pan-amazónicos. Nomeadamente vai-se chamar a atenção para as queimadas, cuja época está a começar e que “têm acelerado brutalmente o desmatamento nos últimos anos”. Apela-se também há constituição de Comités pela Amazónia e pretende-se que, ao longo da semana, haja manifestações em todo o mundo com “tuitaços, vigílias em frente de embaixadas, concertos, arte de rua, performances, webinares informativos, vídeos, ações para pressionar governos e parlamentos, mobilizações presenciais e virtuais e muito mais”. “Tudo para culminar num grande dia pela Amazónia em 22 de setembro, como parte da Semana Mundial pelo Clima, explicam os dinamizadores do processo.

Esta semana está a ser divulgada através do manifesto “Amazoniza-te”, aprovado na Assembleia. Nele se pode ler que “algo novo está nascendo”, algo que se pode escutar “no meio dos gritos da Amazónia”. A luta dos povos amazónicos “atacados em seus territórios, suas memórias e culturas” levanta-se e “cresce o grito ensurdecedor da floresta, derrubada, queimada, saqueada pelo extrativismo violador, que só obedece ao poder e à ganância”.

Por isso, elevam a voz para dizer: “nem mais uma gota de sangue e dor em produtos de consumo nas cidades do mundo!”

Os ativistas sabem que “os corpos e territórios das mulheres e da terra são, historicamente, violentados por um sistema patriarcal, colonial e capitalista, que não entende dos cuidados da vida” mas sentem que “algo novo está nascendo: um tecido rebelde de muitos espíritos da floresta e do cimento, que lembram que todas e todos somos Amazónia”. Convidam-nos assim para entrar “na selva dos nossos sonhos, lutas e resistências” com a “angustiante certeza de saber que não há mais tempo”.

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