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Altice Portugal com lucros de milhões e centenas em lay-off

612 trabalhadores da Intelcia, detida maioritariamente pela Altice, foram colocados em lay-off. No call center de Coimbra, trabalhadores em período experimental foram despedidos. Entretanto, o presidente executivo pede apoio do Estado para implementar a rede 5G.
Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal, na WebSummit 2018. Foto de José Sena Goulão/Lusa.
Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal, na WebSummit 2018. Foto de José Sena Goulão/Lusa.

Os números das receitas contam-se aos milhões, os dos trabalhadores em lay-off às centenas. A Altice Portugal anunciou a 24 de março que teve, em 2019, “resultados históricos” de 2110 milhões de euros, fruto de um crescimento das receitas de 26 milhões de euros. No primeiro trimestre do ano, as suas receitas subiram 2.6%, chegando aos 522,3 milhões de euros e o seu lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações atingiu os 210,2 milhões, uma subida de 1,8%, comparada com o período homólogo de 2019.

Segundo o comunicado da firma, o seu setor de clientes residenciais subiu um por cento, chegando agora a 1,6 milhões de clientes, e as vendas de equipamento aumentaram, comparativamente, cerca de três milhões de euros.

Depois deste anúncio, a 13 de abril, soube-se que a Intelcia colocou em lay-off 612 trabalhadores. O call center desta empresa, que tem cerca de dois mil trabalhadores no total, passou a contar com 65% de capital da Altice Portugal em janeiro deste ano. Trabalhadores do call center deixaram de ser contratados através da Manpower Solutions mas, contudo, mantiveram a situação de precariedade.

Para além disto, segundo a Plataforma Resposta Solidária, os trabalhadores do call center da Altice em Coimbra que estavam no período experimental foram despedidos. Estes trabalhavam para a empresa de trabalho temporário Egor.

O facto de não serem trabalhadores diretos permitiu à empresa assegurar em comunicado público, o mês passado, que “não acedeu nem tenciona aceder a mecanismos de lay-off, assumindo a seu cargo a responsabilidade de garantir a total retribuição dos seus mais de 7.500 colaboradores”. Contudo, no mesmo texto, esclareceu que os contratos com os vários prestadores de serviços “mantêm-se ativos, incluindo os seus mecanismos normais que permitem adaptar os mesmos ao necessário volume da atividade que, no período excecional que atravessamos, obviamente se viu reduzido”.

Mais recentemente, Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal, pediu apoios estatais para o negócio do 5G que tinha sido suspenso em março por tempo indeterminado mas que o governo decidiu retomar.

Para Fonseca, depois da pandemia, os valores para compra de licenças têm de ser revistos em baixa e poder ser pagos faseadamente porque se “tem que permitir que façamos investimento nas licenças, mas que tenhamos depois liquidez para podermos fazer os investimentos na rede para termos o 5G”. Mais, defende que a futura expansão desta rede para as zonas do interior do país, onde haja menos retorno, deve contar com “investimento público” ou “incentivos para empresas como a Altice Portugal fazerem investimentos nessas regiões.” E acrescenta que “se queremos garantir que temos casos de idosos, ou jovens que querem ter acesso a ensino de qualidade e não têm rede, os operadores privados não têm de fazer esses investimentos”.

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