Está aqui

Altice: Governo tem de “travar este despedimento enquanto é tempo"

Presidente do SINTTAV afirma que o despedimento coletivo na Altice serve para "sacar dinheiro à custa dos trabalhadores" para o acionista. O dirigente sindical exorta ainda o executivo socialista a alterar o Código do Trabalho, "para que despedimentos destes não possam ter mais lugar".
Alexandre Fonseca, CEO da Altice Portugal, na WebSummit 2018. Foto de José Sena Goulão/Lusa.

"Este despedimento coletivo não tem razão de ser, a empresa que teve mais lucros este ano do que nos anos anteriores caminha para um despedimento coletivo porquê? É dinheiro para o acionista. [...] O objetivo deles é sacar dinheiro à custa dos trabalhadores. Não se importam nada que o trabalhador vá para o desemprego", frisou o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Comunicações e Audiovisual (SINTTAV), citado pela agência Lusa.

Após uma reunião no Ministério da Economia sobre o despedimento coletivo de 204 trabalhadores da Altice, em que também esteve presente a Comissão de Trabalhadores da empresa, Manuel Gonçalves, em representação da Frente Sindical, explicou o objetivo do encontro.

"Explicámos que este despedimento está assente em duas vertentes, a vertente económica, portanto, desde que a Altice cá chegou a preocupação é angariar dinheiro para o acionista, desde que cá chegou uma das componentes do ADN da Altice é a redução de efetivos. Em seis anos, a Altice já reduziu os efetivos em mais de 50%, através de suspensões de contrato, através de rescisões por mútuo acordo, através de pré-reformas", detalhou o dirigente sindical em declarações aos jornalistas.

De acordo com Manuel Gonçalves, "a Altice tem utilizado os trabalhadores como arma de arremesso contra o Governo, contra a Anacom, com o objetivo de sacar dinheiro para o 5G".

Neste contexto, os representantes dos trabalhadores exortaram o executivo socialista a “travar este despedimento enquanto é tempo" e a alterar o Código do Trabalho, "para que despedimentos destes não possam ter mais lugar". "Se isto pegar [...] vai ser um descalabro para a sociedade, são milhares de trabalhadores que vão ficar no desemprego", alertou o dirigente do SINTTAV.

Dos 204 abrangidos pelo despedimento coletivo, 168 aceitaram a rescisão de contrato por mútuo acordo. Mas Manuel Gonçalves esclareceu que estes trabalhadores se viram forçados a fazê-lo: “E porque é que é forçada? Porque a empresa diz-lhe 'se aceitares a rescisão por mútuo acordo tens, por exemplo 60.000 euros'. O colega que fez um acordo em maio levou, em igualdade de circunstâncias, 90.000, mas [a empresa] diz-lhe 'se não aceitares os 60.000 euros para rescisão de mútuo acordo, vais para o despedimento coletivo e tens 30.000' e o trabalhador vê-se entre dois males e escolhe o menor".

Acresce que, segundo a Frente Sindical, a empresa pratica "terror laboral" há seis anos.

"Estes 168 viram-se também forçados. Era todos os dias os recursos humanos, todos os dias, todos os dias, [a dizer-lhes] 'tens de dar resposta até amanhã'", referiu o dirigente sindical.

Termos relacionados Sociedade
(...)