Está aqui

Altar-palco? "É inexplicável que se faça um contrato de ajuste direto por este valor"

Na reunião da Câmara de Lisboa, a vereadora Beatriz Gomes Dias lembrou que desde julho o Bloco está à espera de respostas de Carlos Moedas sobre os contratos relativos às Jornadas Mundiais da Juventude.
Carlos Moedas diz que o altar-palco de mais de 5 milhões de euros vai servir para outras iniciativas na cidade.

Em reunião realizada esta quarta-feira, a vereação lisboeta discutiu no período antes da ordem do dia o custo da construção do altar e palco das Jornadas Mundiais da Juventude, que se realizam este ano em Lisboa.

A veradora bloquista Beatriz Gomes Dias lembrou que "há mais de um ano que temos colocado estas questões" e que em julho passado requereu respostas sobre os contratos relativos à iniciativa, quais as entidades responsáveis por eles e o respetivo valor, que garantias existem de respeito pelos direitos dos trabalhadores envolvidos nas empreitadas e qual o futuro dos terrenos do Parque Norte após a realização do evento.

Beatriz Gomes Dias lamentou também que "a alteração ao regime de exceção dos concursos públicos introduzida pelo PS" tenha aberto a porta a que pudesse haver este ajuste direto de 4,2 mihões de euros, "que somado ao IVA será muito maior do que o que o regime de exceção dos concursos públicos permite".

"Este valor é excessivamente alto e não é justificável. Há mecanismos que devem ser implementados para que haja transparência nos processos de contratatação pública", defendeu a vereadora do Bloco, considerando "inexplicável que se faça um contrato de ajuste direto por este valor".

Em relação aos argumentos apresentados nas últimas horas por Carlos Moedas para justificar esta despesa colossal num "altar-palco", afirmando que a estrutura "ficará para a cidade" e seria utilizada muitas vezes no futuro, Beatriz recordou que "disseram o mesmo em relação aos estádios de futebol que foram construídos e outras obras que ultrapassaram todos os limites razoáveis de orçamento", sem que tal utilização se viesse alguma vez a concretizar. Em suma, "é uma má decisão e deveria ser revertida", defendeu.

Na resposta, Carlos Moedas defendeu-se com o argumento de que a iniciativa foi aprovada antes do seu mandato e que "a única maneira de termos tudo pronto naquele dia é o ajuste direto". Em relação ao altar-palco, afirmou que foram consultadas várias empresas e "havia preços da ordem dos 8 milhões", procurando afastar a ideia de que o valor da obra contratada à Mota Engil seja escandaloso. "É a imagem de Lisboa e do país" que está em causa, prosseguiu o autarca, repetindo a ideia de que este "é um evento que não tem comparação" com qualquer outro que alguma vez existiu em Lisboa e que "se tivéssemos de ir pela via normal, não teríamos o altar pronto naquele dia".     

Termos relacionados Política
(...)