A Rússia teve este domingo o último dia de eleições locais na Sibéria e os aliados de Alexei Navalny reclamam uma pequena vitória com a eleição de deputados em algumas localidades. A equipa do principal opositor a Vlamidir Putin afirma que conseguiu eleger deputados nas assembleias de Novosibirsk, terceira maior cidade, e em Tomsk, onde o opositor esteve inicialmente internado antes de ser transferido para a Alemanha.
Já o partido do poder, a Rússia Unida, reclama a vitória geral nas eleições. Dmitri Medvedev, ex presidente e atual líder do partido, afirma que os dados provisórios apontam para a vitória do seu partido nestas eleições, conquistando a maioria na maioria das assembleias regionais, não havendo para já indicadores de uma possível segunda volta. Os resultados oficiais, contudo, só serão divulgados hoje.
“Todos os candidatos do Rússia Unida nas eleições [para eleger governadores] venceram convincentemente na primeira volta”, garantiu Alexei Turchak, secretário do Rússia Unida aos meios de comunicação russos e citado pelo jornal Público. “A nível das assembleias legislativas e dos parlamentos das regiões administrativas, o Rússia Unida está a formar maiorias estáveis em todas as regiões sem excepção”, acrescentou.
As eleições decorreram em cerca de duas dezenas das 85 regiões para eleger metade dos parlamentos regionais e autarquias do país. e acontecem um ano antes das eleições parlamentares que poderão servir de teste ao Kremlin. É que a Rússia Unida está a deparar-se com uma quebra de popularidade e um aumento do descontentamento com a situação económica no país. Além disso, é a primeira eleição desde que o referendo constitucional de julho permite a Putin ser reeleito como chefe de Estado até 2036.
Esta é a primeira vez que as eleições ocorrem num período de três dias. Segundo declarações de um grupo de monitorização independente à BBC, foram identificadas várias irregularidades, sobretudo nos dois primeiros dias de votação. Afirmam ainda que foram impedidos de aceder a documentos oficiais e de registar as suas reclamações. O grupo alega ainda que suspeita que as urnas tenham sido enchidas de papéis e que muitos dos votos possam ter sido trocados.
As votações estão também marcadas por Navalny e o seu estado de saúde. Após um evento de campanha, o opositor russo bebeu um chá no aeroporto e acabou internado de urgência, em coma. Desde o primeiro momento que o Kremlin e os médicos russos rejeitam a hipótese de envenenamento, mas os médicos alemães, onde Navalny se encontra atualmente, realizaram testes laboratoriais que indicam que o envenenamento ocorreu com um agente nervoso da família do Novichok, uma arma química altamente tóxica.