Autárquicas

Alexandra Leitão: “Os lisboetas não têm casas que possam pagar”

15 de setembro 2025 - 22:47

No debate autárquico de Lisboa, Alexandra Leitão definiu como objetivo estratégico ter 20% de habitação pública na cidade e acelerar a construção municipal para arrendamento acessível no início do mandato,

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Alexandra Leitão e Carlos Moedas
Alexandra Leitão e Carlos Moedas no debate da SICF.

O debate televisivo na SIC sobre as eleições autárquicas juntou esta segunda-feira o atual presidente da Câmara e recandidato Carlos Moedas,  Alexandra Leitão da coligação “Viver Lisboa” (PS-Livre-Bloco-PAN), João Ferreira da CDU e Bruno Mascarenhas do Chega.

A política de habitação foi um dos pontos principais do debate, com Alexandra Leitão a assumir o objetivo estratégico a longo prazo de Lisboa vir a ter 20% de habitação pública. Para o próximo mandato, prometeu acelerar a construção municipal para arrendamento acessível, mencionando os projetos do Restelo, Marvila e Tapada das Necessidades que não viram avanços durante a gestão da direita no executivo da cidade.

No mandato de Moedas, “não foi construído um único fogo de habitação na zona ocidental”, acrescentou a candidata da coligação Viver Lisboa. “A emergência da habitação exige que tenhamos todas as ferramentas públicas ao nosso dispor”, incluindo o recurso ao setor privado e cooperativo. Alexandra Leitão propõe que seja concedida uma majoração na construção para os promotores que aceitem locar 25% da construção para arrendamento acessível.

Alexandra Leitão diz que também é necessário “mobilizar os devolutos”, e que “só na freguesia de Arroios há mais de três mil devolutos, muitos são municipais e do Estado”. E deu o exemplo dos imóveis da Segurança Social “que podem ser imediatamente mobilizados”.

Carlos Moedas voltou a alegar que fez muito pela habitação acessível, através da entrega de 2.800 chaves. Alexandra Leitão contrapôs que não se pode comparar chaves com casas novas e que dessas 2.800 incluem 1.274 fogos que estavam em construção quando Moedas chegou ao executivo. Das restantes, a maioria deve-se à rotatividade natural dos inquilinos nos bairros municipais.

A candidata da coligação Viver Lisboa trouxe ao debate a proposta de limitação do alojamento local, sem a qual não será possível “libertar casas para arrendamento duradouro”. E acusou Moedas de não ter cancelado registos de Alojamento Local quando o podia ter feito.

“Lisboa precisa de equilibro entre turismo e casa para as pessoas viverem, os lisboetas não têm casas que possam pagar”, defendeu a candidata do PS, Livre, Bloco e PAN.

A tragédia do elevador da Glória foi o tema a abrir o debate a quatro, com os candidatos a defenderem o apuramento de responsabilidades. A divergência esteve nos números apresentados por Moedas sobre o aumento do investimento na manutenção na Carris, com Alexandra Leitão a contrapor que na manutenção dos elevadores esse investimento baixou durante o mandato da direita.

Por outro lado, lembrou a candidata, na última reunião de Câmara ”a maior parte das propostas de reação ao que aconteceu no elevador foram propostas da oposição” e não do executivo de Moedas.

Na primeira parte do debate, João Ferreira insistiu na oposição a uma das bandeiras de Moedas, a devolução do IRS que custou 270 milhões ao longo do mandato, em que “mais de metade vai para os 10% mais ricos” em vez de ser posto ao serviço de todos.

“Lisboa nunca cheirou tão mal como agora”

Segurança e higiene urbana foram outros dois temas do debate, com Alexandra Leitão a defender que a segurança passa também por estudar o estado das infra-estruturas da cidade, melhorar a iluminação pública e tratar dos espaços públicos degradados, dando o exemplo do “abandono do Jardim da Estrela e do jardim do Príncipe Real”.

“Evitar a insegurança é menos degradação do espaço público, menos lixo, mais iluminação”, resumiu a candidata, responsabilizando Moedas por não ter posto a funcionar as “217 câmaras de videovigilância licenciadas pelo anterior executivo”.

Na higiene urbana, Alexandra Leitão acusou Moedas de “gerir mal” e o resultado é que “Lisboa nunca cheirou tão mal como agora”. Para contrariar a atual situação, propõe a recolha de lixo 7 dias por semana, uma central de lavagem de contentores e a clarificação de competências entre Câmara e freguesias.

O balanço quanto às políticas de mobilidade do atual mandato também não foi positivo, com Alexandra Leitão a lembrar que “Lisboa é a penúltima capital europeia no ranking da pedonalidade amiga das crianças” e que “a Carris nunca andou tão devagar como agora”, tendo o executivo de Moedas diminuído um quilómetro de faixas bus em vez de as aumentar.

“Nem com a gratuitidade  conseguiram recuperar a utilização dos transportes públicos aos níveis de antes da pandemia”, apontou a candidata