A tensão entre os governos alemão e francês sobre o futuro da NATO e da defesa europeia tem subido de tom nas últimas semanas. A par das críticas à proposta de Macron para a criação de eurobonds ou de um esquema de empréstimos europeus para financiar os gastos militares dos países da UE, a Alemanha veio agora defender, pela voz do seu chefe da diplomacia, que a França e outros países devem cortar nas despesas sociais e noutros setores para alimentarem a máquina de guerra da NATO.
”[Macron] fala repetidamente e corretamente sobre a nossa busca pela soberania europeia”, disse Johann Wadephul à rádio pública alemã numa entrevista na segunda-feira. Mas, contrapôs o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, “quem fala sobre isso deve agir de acordo no seu próprio país. Infelizmente, os esforços da República Francesa até agora têm sido insuficientes para alcançar esse objetivo.”
O governante alemão diz que o mesmo se aplica aos restantes países da União Europeia, que devem fazer o mesmo que a Alemanha tem feito para cortar na despesa, incluindo despesa social, para atingir a meta acordada entre os países da NATO.
Em resposta, um responsável do ministério da Economia francês disse ao site Politico que ao contrário do que afirma o governante alemão, a França aumentou o orçamento de Defesa em 2017 e desde então duplicou-o.
A Alemanha tem criticado as declarações de Macron sobre o futuro da NATO e da relação com os EUA por defender que “sem a proteção nuclear dos EUA, sem as informações de inteligência dos EUA, estamos indefesos aqui.”