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Alemanha: Líder da CSU desafia Merkel

Horst Seehofer, líder da CSU da Baviera e ministro da Administração Interna da Alemanha, quer avançar rapidamente com novas medidas contra a imigração, Angela Merkel quer primeiro chegar a acordo na UE. Chanceler austríaco anunciou, ao lado de Seehofer, um "eixo" entre Roma, Viena e Berlim.
Angela Merkel, líder da CDU alemã, e Horst Seehofer, líder da CSU e atual ministro do Interior – Foto de Harald Bischof/wikimedia, 20 novembro de 2015

Nos últimos dias, tem vindo a manifestar-se uma crescente divisão entre a chanceler e o seu ministro da Administração Interna e entre a União Democrata Cristã (CDU), liderada por Angela Merkel, e a União Social Cristã (CSU), liderada por Horst Seehofer e aliada da CDU na Baviera. A divisão tem por base a política de imigração, com Seehofer a exigir a tomada rápida e unilateral de novas medidas de repressão da imigração. Angela Merkel procura sobretudo um acordo na União Europeia. A CSU chega mesmo a ameaçar com a rotura com a CDU.

Segundo a Die Welle (DW), a disputa é a maior divisão da era Merkel e expõe a luta pela liderança do conservadorismo na Alemanha.

Eleições na Baviera em outubro

A divisão é agravada ainda pela realização de eleições no Estado da Baviera a 14 de outubro deste ano.

Na verdade, as mais recentes sondagens apontam para uma subida do partido de extrema-direita e anti-imigração AfD (Alternativa para a Alemanha) e para a possibilidade de ficar em segundo lugar, à frente do SPD (partido social-democrata). Em 2013, a CDU venceu na Baviera com 47,7% e o SPD obteve 20,6%. A mais recente sondagem aponta para uma descida da CSU para 41,1% e do SPD para 13,4%, emergindo a AfD em segundo lugar com 13,5%.

"Plano condutor para a imigração"

A questão central da divisão está neste plano elaborado por Horst Seehofer e que o queria divulgar na passada terça-feira. Merkel travou a apresentação do plano porque ele impõe a rejeição da entrada de requerentes de asilo na fronteira alemã. A chanceler considerou que esta exigência, que vai contra a sua política, violaria acordos da União Europeia (UE) e seria difícil de implementar.

Seehofer continua a exigir, noneadamente, que as forças de segurança possam recusar a entrada de refugiados sem documentos de identidade ou que já estejam registados noutros países da UE e, terá dado a Merkel um prazo até à próxima segunda-feira, 18 de junho. Nesse dia, Seehofer reúne com a liderança da CSU em Munique.

A CSU alemã, nomeadamente o seu presidente, Seehofer, e o governador da Baviera, Markus Söder, exigem políticas mais extremistas contra os imigrantes e usam o crescimento da extrema-direita na Alemanha e noutros países para a imporem.

Eixo entre Roma, Viena e Berlim

Na passada quarta-feria, 13 de junho, sobressaíram as declarações do chanceler austríaco, Sebastian Kurz, numa conferência de imprensa em Berlim, ao lado do ministro do Interior da Alemanha, Horst Seehofer.

“Estou satisfeito com a boa cooperação que queremos construir entre Roma, Viena e Berlim [nesta área]”, declarou Sebastian Kurz, afirmando: “na nossa opinião, é necessário um eixo de voluntários na luta contra a imigração ilegal”.

Kurz, com Seehofer ao lado, disse que há cada vez mais pessoas a chegar à Grécia, sublinhando: “Penso que é importante não esperar pela catástrofe, como em 2015, mas agir contra [ela] a tempo”.

O conservador chanceler austríaco que governa em aliança com a extrema-direita terá a presidência da UE a partir de 1 de julho próximo e já estabeleceu como sua prioridade o combate contra a imigração.

Os ministros do Interior da Itália, Matteo Salvini, e da Áustria, Herbert Kickl, são ambos da extrema-direita, respetivamente dos partidos Liga Norte e FPÖ (partido da liberdade da Áustria).

Este episódio constitui um claro desafio de Horst Seehofer a Angela Merkel e à sua liderança na Alemanha e na UE. É também um desafio à sua política de imigração e a exigência de uma política ainda mais extremada e xenófoba contra a imigração.

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