À saída da visita ao Museu da Indústria Conserveira, em Portimão, o candidato presidencial Manuel Alegre afirmou em declarações à Agência Lusa que “as medidas que estão a ser aplicadas aqui e um pouco por todo o lado não são aquelas que nos permitem sair das consequências da crise mundial e do colapso desta globalização desregulada, deste capitalismo financeiro. Austeridade pode trazer mais austeridade, levam à recessão, ao desemprego”.
Para Alegre, “Aquilo que nós precisávamos eram medidas de estímulo à economia, políticas de crescimento, que aumentem a competitividade da nossa economia e que ajudem a mudar o nosso modelo de desenvolvimento”.
A pressão exercida contra Portugal no sentido de recorrer à intervenção do FMI constitui, para este candidato presidencial, “um propósito de encostar Portugal à parede, à semelhança daquilo que foi feito à Grécia e à Irlanda”, sendo que, se o governo ceder a essa pressão, seremos confrontados com o “despedimento de muitas pessoas” e a austeridade será “multiplicada por dez ou por quinze”.
"Já vimos o que se passou na Grécia e Irlanda. Uma coisa são os mercados e outra é a especulação de casino, dos que compram acções de manhã e as vendem à noite sem pensar em empresas, países ou povos. Penso que é necessário regular os mercados financeiros e que a Europa tome outras decisões", adiantou Manuel Alegre.
Em reacção ao silêncio “comprometedor” de Cavaco Silva sobre uma eventual intervenção do FMI, Alegre afirmou que "o Presidente é que ignora que o objectivo político é exactamente forçar Portugal a aceitar a entrada do FMI. Sei muito bem que são os estados que pedem, mas por isso é que os especuladores estão a fazer isso".
Alegre disse ainda que “com este ou com outro Governo qualquer” faria esforços no sentido de se tomarem medidas e de se conversar “com os dirigentes de outros países para que se resolva o problema no quadro europeu”.