Uma cimeira que, sublinha a representante do GUE/NGL eleita pelo Bloco de Esquerda, "conseguiu a proeza de ignorar a crise" pois "as soluções que de lá saíram vão no sentido de ultrapassar a crise ecológica através da financeirização do ambiente: mais comércio de carbono, bónus gratuitos de emissões e agora também activos de propriedade verde".
A declaração de Alda Sousa foi proferida durante o debate realizado quinta-feira de manhã no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, sobre as conclusões da cimeira Rio + 20 na presença do Comissário Potocnick.
Tendo este defendido "com optimismo" uma "economia verde inclusiva", a eurodeputada do Bloco de Esquerda interrogou-se sobre como seria isso possível quando "para essa transição é necessário um investimento de dois por cento do PIB mundial em dez sectores-chave e o programa das Nações Unidas para o Ambiente propôs como solução o recurso ao sector financeiro".
Estamos perante "a receita do desastre", adverte Alda Sousa: "em resposta à crise ecológica provocada pela avidez do mercado, que transforma os recursos no lucro de poucos e na escassez de muitos, inventa-se mais mercado". Com isso, "as políticas públicas são substituídas por mecanismos especulativos, o interesse comum dá lugar ao benefício privado".
Alda Sousa sublinhou que "não há qualquer solução climática, ambiental e social sem tocar na raiz do problema, este sistema económico que condena milhões à pobreza e arrasa o planeta". Não se apaga "um incêndio com gasolina, não se salva o planeta vendendo-o a retalho", concluiu a eurodeputada do Bloco de Esquerda.
"As conclusões da cimeira Rio + 20 foram um desapontamento", declarou a eurodeputada Kartika Liotard, igualmente do GUE/NGL. "É realmente ridículo que na cimeira, realizada no Rio de Janeiro, nada tenha sido concluído relacionado com a desflorestação", acrescentou Liotard. "Se não foi agora quando será?", perguntou a eurodeputada lembrando que no planeta desaparecem 36 campos de futebol de florestas por minuto, muitos deles no Brasil.
O eurodeputado português João Ferreira (GUE/NGL, PCP) testemunhou que no Rio aconteceram "os mesmos bloqueios" registados em cimeiras anteriores. Em relação à "economia verde", afirmou que um desenvolvimento genuinamente sustentado com base na relação entre o homem e a natureza "não será possível sem questionar as leis e atitudes do capitalismo".