O caso do espancamento mortal de um imigrante marroquino por agentes da PSP de Olhão em março de 2024 já tem um despacho de acusação, revela esta segunda-feira a revista Sábado.
O Ministério Público vai defender a condenação dos dois agentes envolvidos pelos crimes de sequestro e homicídio qualificado, além da suspensão de funções na PSP.
Segundo a acusação, os agentes da PSP foram chamados por duas vezes no mesmo dia por funcionários de dois supermercados da mesma rede, queixando-se de que estariam a abrir e consumir produtos alimentares no local. Na primeira vez identificaram-nos junto ao supermercado, recolhendo imagens dos documentos de um deles. Isso serviu para que fossem identificados na segunda ocorrência, quando já não se encontravam no local. Sendo esse um crime de natureza semi-pública e não tendo os funcionários querido apresentar queixa, os polícias não poderiam deter ninguém, ressalva o Ministério Público.
Mas Aissa e Hassan, que segundo a acusação estariam sob o efeito de estupefacientes, foram encontrados pelos agentes não muito longe do supermercado, e em seguida algemados e levados na viatura policial para um caminho municipal. Hassan adormeceu no caminho, tendo os polícias retirado as algemas antes de o atirarem para a berma. A mesma sorte não teve Aissa, que ainda algemado com as mãos atrás nas costas foi agredido violentamente na cabeça e na face, tendo dado entrada nos cuidados intensivos onde viria a morrer semanas depois.
A Direção Nacional da PSP diz que ambos os agentes estão “afastados de funções” até ao fim julgamento, tendo instaurado um processo disciplinar.