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"Afirmar que as vidas negras importam é exigir políticas públicas para remover obstáculos do racismo institucional"

Deputada bloquista Beatriz Gomes Dias lembrou a impunidade dos abusos policiais contra jovens negros em Portugal e defendeu medidas de combate à discriminação racial "que garantam igualdade no acesso a salário digno, à habitação, à educação, à saúde, à justiça"
Beatriz Gomes Dias esta segunda-feira no Parlamento. Imagem ARTV.

No primeiro plenário parlamentar após as concentrações realizadas no fim de semana por todo o mundo a exigir justiça e igualdade para as pessoas que sofrem de ataques racistas, a deputada Beatriz Gomes Dias afirmou que “as pessoas saíram à rua contra um sistema, contra uma cultura de opressão, que desprotege as pessoas racializadas".

"A mobilização de milhares de pessoas contra o racismo e a violência policial expressa, de uma forma inequívoca, a indignação e a revolta por mais uma vida negra, por todas as vidas negras, que foram brutalmente terminadas por agressões perpetradas por agentes de segurança, por representantes do estado, que têm o dever de proteger todos os cidadãos e todas as cidadãs”, prosseguiu a deputada do Bloco.

Beatriz Gomes Dias lembrou os nomes de alguns jovens negros que perderam a vida às mãos da polícia desde o ano 2000, tal como os abusos policiais a Cláudia Simões no final deste ano e as agressões aos jovens da Cova da Moura na esquadra de Alfragide em 2015. 

E lembrou ainda que 80% dos processos instaurados pela Comissão pela Igualdade e Contra a Discriminação Racial na sequência de queixas feitas foram arquivados e em 10 anos 75% das queixas de racismo contra as forças de segurança também foram arquivadas e não houve qualquer tipo de condenação. Os dados da Inspeção Geral da Administração Interna revelam que o número de queixas contra as forças de segurança aumentou para o valor mais alto nos últimos sete anos. São soluções para isto que “as multidões que participaram nas manifestações exigem”, vincou Beatriz Gomes Dias.

Para a deputada do Bloco, “o racismo estrutural que persiste na sociedade e nas instituições encarrega-se de mantê-las nessas margens materiais e simbólicas. Os obstáculos colocados às vidas das pessoas racializadas colocam limites à dignidade e à expressão plena da cidadania. Dificultam ou impedem o acesso a direitos fundamentais, como o direito à segurança, à saúde, à educação de qualidade, à habitação, à justiça, ao trabalho com direitos e a um salário justo”, por isso “ao afirmar que as vidas negras importam, estamos a sublinhar que a discriminação étnico-racial, que a desigualdade e exclusão social historicamente construída e mantida, afeta e condiciona desproporcionalmente a vida das pessoas pertencentes às comunidades racializadas. Afirmar que as vidas negras importam é exigir políticas públicas que reconheçam e removam os obstáculos colocados pelo racismo institucional. Políticas públicas de efetivo combate à discriminação racial que garantam o acesso, em igualdade, a salário digno, à habitação, à educação, à saúde, à justiça.”

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Publicado por Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda em Segunda-feira, 8 de junho de 2020

Em resposta aos deputados do CDS e do Chega, que centraram as suas críticas aos milhares de manifestantes por causa de dois cartazes injuriosos, dos quais se demarcou, Beatriz Dias disse que “o que eu acho surpreendente na presença de milhares de cartazes de uma manifestação pacífica onde a maior parte dos manifestantes pediam justiça, paz, igualdade, democracia, pertença, é que os senhores escolham trazer para este debate dois exemplos para justamente retirar toda a legitimidade de uma manifestação pacífica.”

“As pessoas uniram-se para que o progresso aconteça” Beatriz Gomes Dias afirmou que “evidentemente que o Bloco se...

Publicado por Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda em Segunda-feira, 8 de junho de 2020

 

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