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Advogados e jornalistas "apanhados" na vigilância a Assange processam CIA

O processo visa o ex-diretor da agência de espionagem dos EUA que espiou as visitas ao fundador da Wikileaks quando estava refugiado na embaixada do Equador em Londres. Assange aguarda pela decisão do seu recurso contra a extradição para os EUA.
Julian Assange em 2012 na embaixada do Equador em Londres. Foto Andy Thornley/Flickr

Um grupo de advogados e jornalistas norte-americanos entregou uma queixa a um procurador nova-iorquino esta segunda-feira visando Mike Pompeo, o antigo diretor da CIA. A agência é acusada de os ter espiado quando se encontraram com Julian Assange na embaixada do Equador em Londres, com o auxílio da empresa de segurança privada da embaixada, a Undercover Global. Segundo as leis dos EUA, a CIA não pode recolher informações sobre cidadãos estadunidenses "mesmo quando as suas atividades tenham lugar numa embaixada estrangeira num país estrangeiro", afirmou Richard Roth, o líder da equipa de advogados que representa os queixosos, citado pela Reuters.

Já era conhecido que a empresa de segurança privada da embaixada colocou câmeras de vigilência e de captação de som no edifício e que entregava à CIA as imagens e sons que permitiram à espionagem dos EUA seguir todos os passos e conversas de Julian Assange nos anos que passou ali refugiado. Os advogados e jornalistas acusam a empresa de ter copiado a informação dos seus telemóveis, que eram entregues a um segurança à entrada da embaixada quando se iam encontrar com Assange. Assim, além das conversas com o fundador da Wikileaks, a CIA pôde ter acesso aos conteúdos das mensagens e comunicações destas pessoas através das perícias ao conteúdo dos aparelhos.

Para Robert Boyle, outro advogado novaiorquino que representa os queixosos, esta espionagem ilegal aos advogados de Assange significa que o seu direito a um julgamento justo nos EUA "ficou agora manchado, senão mesmo destruído", pelo que se impõem "sanções que podem levar à retirada das queixas ou à desistência do pedido de extradição", afirmou ao Guardian.

Julian Assange ainda guarda pelo recurso interposto na justiça britânica contra a ordem de extradição aprovada em junho pelo governo britânico. Caso o tribunal dê luz verde à extradição para os Estados Unidos, terá de enfrentar acusações que pedem até 175 anos de prisão por ter divulgado em 2010 documentos militares e diplomáticos dos EUA que ajudaram a expor crimes de guerra praticados pelas tropas estadunidenses no Iraque e no Afeganistão.

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