Administração da Casa da Música age com “má fé”

16 de maio 2020 - 15:07

A acusação é de Catarina Martins, depois de reunir com trabalhadores e trabalhadoras da Casa da Música que ficaram sem rendimentos e que há anos trabalham em condições precárias.

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https://www.rtp.pt/noticias/economia/funcionarios-da-casa-da-musica-sem-ordenado-ha-dois-meses_v1229154

Catarina Martins, coordenadora do Bloco, e o deputado José Soeiro, reuniram na passada sexta feira com os trabalhadores dispensados da Casa da Música e acusou a administração de “má fé” e de ter uma “atitude inaceitável” ao deixar de pagar a trabalhadores, argumentando com o cancelamento de espetáculos, quando “a fatia de leão” do seu orçamento é transferida pelo Estado.

“Lamentamos esta atitude inaceitável e má fé da administração da Casa da Música, que é financiada pelo Estado e está a cortar a 100% o salário de alguns trabalhadores, quando o facto de não ter espetáculos não pode ter tido, até à data, um impacto superior a 5%”, disse Catarina Martins. A casa da Música “está a receber duas vezes do Estado para não pagar aos trabalhadores, porque recebe do Orçamento do Estado a fatia de leão do seu Orçamento e não paga e depois diz a estes trabalhadores para recorrerem aos apoios da Segurança Social, mais uma vez o Estado”.

Numa instituição com quase 300 trabalhadores, dos quais poucos são efetivos, torna-se difícil contabilizar quantos destes estão abrangidos pelos cortes. Segundo declarações prestadas pelos precários da Casa da Música à RTP aquando da reunião com Catarina Martins, os serviços foram “suspensos de um dia para o outro e até à data não obtiveram qualquer informação”, “não têm qualquer contrato”, têm um tratamento que consideram desumano, pois trabalham muitas vezes “doze, catorze ou dezasseis horas”. São assistentes de sala, guias, músicos, técnicos e formadores do serviço educativo, num total de mais de cem trabalhadores e trabalhadoras, alguns há 16 anos a recibos verdes. A administração da Casa da Música, contactada pela imprensa, recusou-se a prestar declarações.

O Bloco de Esquerda apelou à intervenção da tutela não só no caso desta instituição, mas também de outras instituições culturais que são financiadas pelo Orçamento do Estado e que dispensaram trabalhadores a falsos recibos verdes.