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Em conferência de imprensa realizada esta sexta-feira, Mário Nogueira, em representação da Plataforma pela Educação, anunciou a decisão de adiar para o próximo ano lectivo a Marcha pela Educação prevista para este sábado, “transformando-a num 'cartão de visita' a entregar ao governo que sairá das eleições, tendo, naturalmente, em conta a matriz política que escolher para a Educação”.
A decisão foi tomada porque a Plataforma concluiu que ficou sem interlocutor: “A Marcha foi marcada tendo o governo, com a sua política, como interlocutor. Junto dele pretendíamos protestar e exigir! Demitiu-se!”, diz-se no comunicado distribuído. “Mudámos o interlocutor, então, transferindo-a para a Assembleia da República”, prossegue o comunicado. “Embora o cenário de eleições antecipadas fosse o mais provável, a decisão estava por tomar. Ontem, a AR foi dissolvida pelo Presidente da República. Portanto, deixámos de ter interlocutor político. Passamos, agora, a ter destinatários das nossas preocupações e propostas: os partidos políticos que passam a ser protagonistas do tempo que vivemos, um período pré-eleitoral que se prolongará até 5 de Junho.”
A Plataforma regozija-se com a rejeição do PEC IV; a revogação das alterações curriculares impostas pelo governo; e a suspensão da avaliação dos professores.
Mas assinalam muitos motivos de descontentamento que justificariam a manutenção da marcha, não fosse a situação particular criada pela demissão do governo:
- os mega-agrupamentos e o encerramento de escolas com todas as suas implicações;
- os horários e as condições de trabalho nas escolas que se agravam;
- a falta de pessoal não docente: assistentes operacionais, administrativos e psicólogos;
- a falta de condições para que a IGE cumpra o seu importante papel no sistema educativo, seja ao nível dos recursos humanos, seja das condições políticas;
- os 803 milhões de euros de redução na Educação que resultam de mais precariedade, mais desemprego já em Setembro, do roubo nos salários e do congelamento das carreiras. E ainda os 100 Milhões de euros que foram retirados às autarquias e que indirectamente significam redução também na Educação.
Neste novo contexto político, as organizações que compõem a Plataforma vão começar a trabalhar na construção de proposta concretas. Mas avisam que não se retirarão das lutas e da intervenção específica.