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Açores: PS perde maioria absoluta, Bloco tem melhor votação de sempre

Nas eleições regionais dos Açores deste domingo, o Bloco de Esquerda elegeu dois deputados. Pedro Filipe Soares considera o resultado “extraordinário”. António Lima, eleito por São Miguel, assinala que o PS tem de “refletir perante este resultado se quer continuar o caminho que estava a fazer”.

Pedro Filipe Soares reagiu aos resultados das eleições regionais deste domingo considerando que o Bloco alcançou um feito “extraordinário” ao obter o melhor resultado de sempre em número de votos e em percentagem.

O dirigente bloquista saudou os dois eleitos, António Lima e Alexandra Manes, pela “enorme” e “difícil” campanha que “afirmou novos protagonistas”.

Reiterou ainda a mensagem que já tinha sido transmitida pelo Bloco dos Açores: “tendo havido perda da maioria absoluta do PS, o Bloco não apresentará nenhuma moção de rejeição ao programa de governo”. Para além disso, o partido não votará “ao lado da direita” nenhuma moção de rejeição e estará disponível “medida a medida, iniciativa a iniciativa, orçamento a orçamento analisar cada um dos diplomas”.

Para o partido é preciso “garantir que existe uma compreensão destes resultados eleitorais” e que esta se traduza nas soluções governativas a encontrar. Ou seja, “que se perceba que a pobreza, a exclusão social, retiram capacidade política e fomentam a extrema-direita”. Segundo Pedro Filipe Soares foi esse descontentamento que levou a uma perda da maioria absoluta por parte do PS.

Agora, face à nova configuração da Assembleia Regional, é preciso “garantir que há mesmo uma mudança de políticas” e a assegurar que esta não seja apenas “uma questão de cosmética” porque “foi isso que foi exigido nas urnas”. O desafio, sublinha, é avançar com “medidas políticas que têm força social” já que estas “depois conseguem fazer também maioria parlamentar muitas vezes”.

PS tem que “refletir perante este resultado se quer continuar o caminho que estava a fazer”

O coordenador do Bloco dos Açores, António Lima, eleito pelo círculo eleitoral de São Miguel, reagiu aos resultados avançando que deverá ser o PS a governar, porque "tem mais votos", e não uma eventual geringonça à direita.

"Forma governo, à partida, quem tem mais votos e quem ganhou foi o Partido Socialista. O Bloco/Açores não apresentará nenhuma moção de rejeição ao programa do governo do PS nem apoiará qualquer moção da direita ao governo do PS", afirmou António Lima, citado pela agência Lusa.

O dirigente bloquista assinalou que o Bloco alcançou o seu "melhor resultado de sempre", obtendo mais 500 votos do que em 2016. Desta forma, "garante a manutenção do grupo parlamentar, reforçando a sua capacidade de trabalho", e não contribui “para o crescimento da extrema-direita".

António Lima garantiu que, na Assembleia Regional, "trabalhará orçamento a orçamento, proposta a proposta, cumprindo aquilo que é o seu programa eleitoral".

De acordo com o coordenador do Bloco dos Açores, o PS "tem é que refletir perante este resultado se quer continuar o caminho que estava a fazer ou se quer fazer uma mudança que permita melhorar a vida dos açorianos".

Com 3,8%, Bloco elege António Lima e Alexandra Manes

De acordo com os resultados já publicados, o PS, com 39,1% dos votos, elegeu 25 deputados, menos cinco do que nas últimas eleições. Não alcançando os 29 deputados, o PS perde a maioria absoluta.

O PSD elegeu 21 deputados, reunindo 33,7% dos votos. Já o CDS-PP, com 5,5%, passou de quatro para três deputados. Com 5%, o Chega elegeu dois parlamentares.

O Bloco teve a melhor votação de sempre, alcançando os 3,8%. O partido elegeu António Lima e Alexandra Manes.

Com 2,3%, o PPM manteve um deputado. O Iniciativa Liberal e o PAN, com 1,9%, elegeram, pela primeira vez, um parlamentar. A CDU, com 1,7%, não conseguiu assegurar representação na Assembleia Legislativa Regional dos Açores.

No total votaram 104.009 pessoas. A abstenção foi de 54,58%.

Última atualização às 00h59 de 26.10.2020.

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