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Açores: António Lima critica Orçamento "com os maiores cortes de sempre"

O executivo regional do PSD, CDS e PPM "regressou à lógica do ir além da troika que a direita nos habituou”, afirmou o coordenador regional do Bloco no encerramento das Conferências Zuraida Soares.
António Lima. Foto Ana Mendes.

Este Orçamento do PSD, CDS e PPM tem “os maiores cortes de sempre. São menos 140 milhões de euros apenas para agradar aos parceiros IL e Chega", disse António Lima este domingo no encerramento das Conferências Zuraida Soares, em Ponta Delgada. O primeiro dia das Conferências realizou-se no sábado em Angra do Heroísmo.

O deputado do Bloco de Esquerda nos Açores acusou o PSD, o CDS e PPM de preferirem um “regresso da lógica do ir além da troika que a direita nos habituou”.E contrapôs que “sem aumentar o endividamento da região relativamente ao PIB e sem ultrapassar os limites definidos no Orçamento de Estado, o Governo Regional tinha margem para não cortar qualquer investimento público” e dessa forma contribuir para "políticas que contrariem o empobrecimento da grande maioria da população, a população que trabalha”.

António Lima, criticou ainda a “borla fiscal para a grande maioria das empresas dos Açores, baixando os impostos sobre os lucros numa altura em que a inflação e a especulação geram lucros extraordinários”. Com esta opção, serão os impostos de quem trabalha a suportar ainda mais o orçamento da Região, “ao passo que quem tem lucros pagará ainda menos”.

“Perante esse caminho, por onde querem arrastar os Açores, um caminho sem futuro, o Bloco tem alternativa e não deixamos de a afirmar”, adiantou António Lima.

“De Bolsonaro a Bolieiro há um Chega de distância”

O coordenador regional do partido começou a sua intervenção com uma referência à política internacional, lembrando que, no Brasil, a democracia está sob ataque, porque Bolsonaro, o candidato derrotado, não reconhe os resultados do ato eleitoral, e há uma parte – ainda que minoritária – da população que clama por uma ditadura.

“Em Portugal e nos Açores há quem apoie Bolsonaro” e “a sua política e desprezo pela democracia”, assinalou, acrescentando que se trata da “mesma extrema-direita que apoia e suporta o Governo nos Açores”.

“De Bolsonaro a Bolieiro há um Chega de distância”, disse António Lima. E o deputado deu mesmo um exemplo concreto destas semelhanças: Se André Ventura disse que “Os 125 euros (de apoio do governo da república) não podem ser gastos em whisky, tabaco e drogas", o vice-presidente do Governo dos Açores disse esta semana que o apoio à natalidade do governo regional “não é para ser gasto em cerveja”.

“Não vos peço para descobrirem as diferenças porque elas já não existem”, concluiu António Lima, que lamenta que “a vice-presidência do Governo Regional”  se tenha tornado, “de facto, num departamento do Chega”.

No discurso de encerramento da primeira edição das “Conferências Zuraida Soares”, António Lima enalteceu o papel de Zuraida Soares para o Bloco de Esquerda e para os Açores: “Não a esquecemos e aqui estamos juntos, não só lembrando o seu percurso político, mas acima de tudo procurando fazer o que a Zuraida sempre fez: Continuar a luta pelos ideais que partilhamos”.

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