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Representantes das duas principais facções palestinianas, a Fatah do presidente Mahmoud Abbas, da Autoridade Palestiniana, e do Hamas, que está no governo na Faixa de Gaza, chegaram a um acordo para formar um governo transitório para realizar eleições presidenciais e legislativas dentro de um ano. A decisão, inesperada, foi tomada esta quarta-feira no Cairo.
De acordo com a agência oficial egípcia MENA, as duas facções "chegaram a um acordo completo após discussões sobre todos os pontos". Uma reunião para assinar o acordo de reconciliação deverá ocorrer na capital egípcia nos próximos dias.
O chefe da delegação do Hamas, Mahmoud Zahar, disse que o governo agrupará personalidades independentes, informação confirmada pelo representante da Fatah, Azzam Al-Ahmad.
Mahmoud Zahar disse ainda que as duas partes chegaram também a acordo para reunificar as forças de segurança da Fatah e do Hamas, o que era um dos principais focos de divergência entre as duas organizações.
Israel critica
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, criticou o acordo e afirmou que a Autoridade Palestiniana terá de escolher entre fazer a paz com o Hamas ou com Israel: “O Hamas deseja destruir Israel e diz isto abertamente", declarou. Para ele, a própria ideia de reconciliação com o Hamas "demonstra a fraqueza da Autoridade Palestiniana e a possibilidade de o Hamas tomar o controlo da Cisjordânia, como fez na Faixa de Gaza".
Em resposta, o porta-voz da Autoridade Palestiniana, Nabil Abu Rodeina, disse que "Netanyahu deve escolher – ou uma paz justa e abrangente, com um povo palestino unificado, ou os colonatos".
Surpresa
Segundo o analista militar Ron Ben Ishai, do site de noticias israelita Ynet, os serviços de informações de Israel ficaram surpreendidos com o acordo. "Até há poucos dias, um acordo desse tipo parecia muito distante", disse o analista, afirmando que o acordo esvazia "um argumento importante da diplomacia israelita" contra a iniciativa do presidente Mahmoud Abbas de pedir o reconhecimento da ONU ao Estado Palestiniano. "A diplomacia israelita sempre argumenta que Abbas só representa a Cisjordânia".