Em fotos publicadas esta semana num relatório da organização Border Violence Monitoring Network sobre a covid-19 e a violência nas fronteiras da rota dos Balcãs, e também pelo The Guardian, podem ver-se vários homens com as suas cabeças rapadas e com cruzes pintadas com tinta laranja. As denúncias descrevem ainda que a polícia croata rouba todo o dinheiro, telemóveis e sapatos aos grupos de migrantes humilhados antes de os forçar a voltar novamente para a Bosnia.
"É óbvio que um dos efeitos pretendidos deste comportamento é humilhar os refugiados e migrantes que tentam atravessar a fronteira", disse Jack Sapoch, um dos membros da Border Violence Monitoring Network, que também pertence à organização No Name Kitchen.
A No Name Kitchen já tinha revelado que no dia 6 de maio, na cidade de Poljana, na Bósnia, um grupo de migrantes tinha sido pulverizado com tinta na cabeça. No dia seguinte, o mesmo aconteceu a outro grupo de migrantes que chegava ao campo de refugiados de Miral, também na Bósnia.
"Ou as autoridades croatas estão a usar a tinta para identificar e humilhar quem repetidamente tenta passar pela fronteira ou, mais preocupante, estão a usar isto como uma táctica para traumatizar psicologicamente estes homens, a maioria dos quais muçulmana, com um símbolo religioso" disse Sapoch ao jornal britânico.
A brutalidade nesta fronteira tem aumentado muito nos últimos dois meses, correspondendo com o período em que muita atenção é direcionada para a crise causada pela pandemia de covid-19 e as forças policiais têm ganho mais automia. "A devolução violenta de migrantes é ilegal e a disseminação da covid-19 não é uma desculpa para enfrentar as pessoas vulneráveis com mais violência ainda. É inaceitável", continuou Sapoch.
ACNUR pede explicações ao governo croata
As Nações Unidas já questionaram o governo croata de Andrej Plenkovic sobre estes e outros abusos da polícia contra migrantes que procuram entrar na UE e que são "empurrados" de volta para a Bosnia. Noutras ocasiões as Nações Unidas já deram voz a outros relatos de roubo, agressões físicas e mortes por disparo à queima-roupa efetuados pela polícia croata contra estes pessoas que procuram asilo.
"Esses relatórios destacam problemas relacionados com a identificação de pedidos de asilo, violência e uso excessivo da força, identificação de indivíduos vulneráveis e tratamento de crianças desacompanhadas", explicou Zoran Stevanović, o responsável pela comunicação do ACNUR na Europa Central, ao "The Guardian".
Por seu lado, o porta-voz do ACNUR na Croácia, Jan Kapic, afirmou nas redes sociais que a organização das Nações Unidas "insta o governo croata a investigar todas as alegações de violações e abusos dos direitos humanos e a estabelecer um mecanismo de fiscalização independente para estabelecer os factos da situação na fronteira".
UNHCR traži od hrvatske vlade da istraži sve navode o kršenjima prava i zlostavljanjima i da uspostavi nezavisni mehanizam nadzora koji bi utvrdio činjenice o stanju na granici.https://t.co/zbKgVKIn8P
— Jan Kapic (@KapicJan) May 12, 2020