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Acaba censura de filmes por “razões morais e religiosas” na Itália

O ministro da Cultura vai substituir a lei de 1914 por uma nova em que serão os realizadores a atribuir classificações etárias aos seus próprios filmes, que depois serão verificadas por uma comissão.
Cena de Cinema Paraíso de Giuseppe Tornatore no qual é retratada a censura.
Cena de Cinema Paraíso de Giuseppe Tornatore no qual é retratada a censura.

Em 1914, o cinema dava os primeiros passos. Em Itália, o Decreto Real número 531, de 31 de maio, instituía um sistema de censura de filmes por “razões morais e religiosas”. Fruto da época? O facto é que a lei manteve-se até aos nossos dias. Segundo uma pesquisa feita pelo Cinecensura, uma exposição online do ministério da Cultura italiano, desde então mais de 10.000 filmes foram alterados de alguma forma ao abrigo da lei. E foram censurados, desde 1944, 274 filmes italianos, 130 norte-americanos e 321 de outras nacionalidades.

2021 será o ano em que este tipo de censura termina em Itália. O atual ministro da Cultura, Dario Franceschini, do Partido Democrático, anunciou esta segunda-feira que “o sistema de controlos e intervenções que ainda permitia ao Estado intervir na liberdade dos artistas acabou definitivamente”, segundo a France Press.

Para substituir este sistema, em que era possível impedir a exibição de filmes ou exigir aos realizadores cortes, será instituído um outro no qual os próprios criadores classificam os seus filmes de acordo com a idade do público. Depois, uma comissão de 49 membros do setor, que contará com a presença de peritos em educação e direitos dos animais, por exemplo, irá verificar a decisão tomada.

Na lista de obras que foram censuradas, há filmes famosos como O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, de 1973 e bloqueado até 1987; Salò, ou os 120 Dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini, de 1975, bloqueado pela censura até 1977. Por razões políticas, o filme de Moustapha Akkad, O Leão do Deserto, de 1981, que mostra a resistência líbia, protagonizada por Omar al-Mukhtar contra o colonialismo italiano, foi censurado pelo primeiro-ministro Giulo Andreotti e apenas foi transmitido em 2009 pelo canal pago Sky.

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