Ação de protesto "A Cultura é barata" deixa marcas na EDP e BPN

28 de maio 2012 - 18:45

Um grupo de ativistas passou a noite passada a colar mensagens nas sedes da EDP e do BPN. Foram estes os alvos da ação que esta madrugada deixou marcas em várias sedes espalhadas por Lisboa, Porto, Coimbra e Faro, denunciando escolhas políticas erradas e a falta de investimento no setor Cultural.

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ENTREGOU AOS NOVOS DONOS DA EDP 1 ANO DE CULTURA - (com a privatização da EDP o Estado entregou dividendos ainda de 2011 aos novos donos num total de 144 milhões de euros).

Ativistas de norte a sul do país saíram esta madrugada à rua para reivindicar a falta de investimento no sector Cultural. Sob o mote "a Cultura é barata", exibiram frases em várias sedes da EDP e BPN com o objetivo de “mostrar aos portugueses quais é que têm sido as escolhas políticas nos últimos anos e o que representam para o sector cultural”, lê-se no blogue aculturaebarata.blogspot.com.



Estes ativistas declaram-se “fartos do desrespeito, da humilhação, agressividade e desprezo pela Cultura”.



“A inevitabilidade dos cortes foi e continua a ser uma política deliberada e consistente do Estado se demitir da missão de garantir o acesso e a fruição cultural aos seus cidadãos”, afirma o grupo no seu blogue. A denúncia não fica por aqui: “Chegámos hoje a uma situação em que o orçamento para Cultura deixou de ser um investimento para se tornar um ‘gasto’, com conotações quase criminosas, algo politicamente indefensável”.



E prosseguem, deixando claro que o principal objetivo passa por “recolocar a discussão pública sobre a Cultura”. “Este retrocesso colocou a arte e a criação sob a mira de ataques gratuitos e destruiu na prática toda a frágil legitimidade social que os agentes culturais construíram desde o 25 de Abril. Perdemos a noção da Cultura como fonte de conhecimento e desenvolvimento. É por isso necessário clarificar ao que corresponde realmente o ‘monstro’ da Cultura: em 2012 apenas 0,1 por cento do Orçamento de Estado foi para a o sector cultural, ou seja, uma redução nominal de 75 porcento desde o ano 2000”.



A ideia de que a Cultura é uma despesa enorme, dizem os ativistas, “não tem qualquer cabimento”. “É ridículo que a Cultura esteja sofrer cortes desmesurados para financiar bancos envenenados e parcerias PPP’s a preço de ouro, cortes que mais não representam do que uma gota no oceano dos fundos perdidos no BPN, nos subsídios à EDP, nos negócios por esclarecer entre a CGD e a Estradas de Portugal, entre muitos outros”.



As escolhas de investimento que consideram erradas são medidas em anos de financiamento cultural. Eis as frases coladas nas montras de algumas sedes da EDP e BPN:



ENTREGOU AO BPN 40 ANOS DE CULTURA - (um total de 8 mil milhões de euros dos contribuintes que o Estado gastou no banco);



ENTREGOU AOS NOVOS DONOS DA EDP 1 ANO DE CULTURA - (com a privatização da EDP o Estado entregou dividendos ainda de 2011 aos novos donos num total de 144 milhões de euros);



ENTREGOU ÀS PPPs 8 ANOS DE CULTURA - (a factura de rendas para as parcerias público-privado apenas para 2011 ascende a 1600 milhões de euros);



GASTOU 11 ANOS DE APOIO À CULTURA EM ESPINGARDAS - (o orçamento para o ministério da defesa para 2011 representava 2200 milhões de euros);



ENTREGOU AO GRUPO MELLO 8 ANOS DE APOIOS À CRIAÇÃO ARTÍSTICA - (de modo a financiar o grupo melo e a sua OPA à BRISA, a Caixa Geral de Depósitos entregou 88 milhões de euros ao grupo mello - os apoios à criação representam 11 milhões de euros do orçamento da SEC);



ENTREGOU À LUSPONTE 5 ANOS DE APOIOS À CRIAÇÃO - (a renegociação do contrato com a Lusoponte obrigou o estado a entregar mais 50 milhões de euros à Lusoponte).