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92% dos candidatos a um contrato de investigador ficaram de fora

Apenas 8% dos candidatos conseguiram um contrato de trabalho no concurso da FCT. Assim, para denunciar a precariedade no setor da investigação científica, foi lançado o “movimento 8%”. Investigadores por todo o país estão a fotografar-se em frente aos centros de investigação para ilustrar preto no branco a sua situação.
Investigadores do ICVS da Universidade do Minho ilustram na foto os resultados do último concurso da FCT: a preto quem não foi contratado, a branco quem foi.
Investigadores do ICVS da Universidade do Minho ilustram na foto os resultados do último concurso da FCT: a preto quem não foi contratado, a branco quem foi.

Havia 300 contratos de trabalho disponíveis no último concurso da FCT. Concorreram 3631 investigadores doutorados. O segundo concurso de Estímulo ao Emprego Científico teve assim uma taxa de aprovação de cerca de 8%, desmentindo os anúncios de pleno emprego no setor.

Estes resultados fizeram os candidatos reagir. A partir de um grupo de investigadores da Universidade do Minho, nasceu um grupo no Facebook, que entretanto conta com cerca de 700 membros, e surgiu um movimento, “movimento 8%”.

Para os seus promotores “a baixíssima taxa de aprovação do concurso CEEC2018 (8,26%), representa mais um prego no caixão da ciência em Portugal”. Por isso manifestam o seu “descontentamento”. Uma das formas escolhidas é a divulgação de fotos nas redes sociais. A ideia é “muito visual e muito simples”: convidam-se os investigadores que participaram no concurso a fazer uma foto de grupo em frente ao seu centro de investigação, quem não teve contrato veste-se de preto, quem teve de branco. Pretendem “demonstrar visualmente a proporção” e passar a mensagem: “92% dos investigadores sem salário no CEEC 2018”.

Os investigadores sublinham ainda que de fora ficaram “investigadores de renome internacional, responsáveis por equipas produtivas e competitivas no panorama mundial, com projetos do Conselho Europeu para a Investigação, vencedores de prémios nacionais e internacionais de elevado prestígio”.

A ABIC, Associação dos Bolseiros de Investigação Científica, tinha lançado já, a propósito deste mesmo concurso, um comunicado no passado dia dois de dezembro. Nele, começava por se criticar os atrasos que deixaram “em suspenso as vidas de 3631 investigadores” para, em seguida, criticar a “taxa de aprovação muito reduzida”.

Esta associação lembra que o primeiro concurso deste tipo, ocorrido em 2017, contava com 515 contratos, por isso a segunda edição representa um retrocesso. As taxas de aprovação, aliás, desceram de 12% para 8%.

Também a ABIC sublinha que estes resultados andam longe dos anúncios do Ministro Manuel Heitor de “pleno emprego”. Para a associação há apenas “pequenos passos dados na restrição do recurso a bolsas como paradigma de contratação” o que não é “significativo” no panorama de precariedade que marca o setor do Ensino Superior. Daí que prometem não ir assistir “tranquilamente à manutenção da precariedade preconizada por Instituições e Governo, nem à ameaça de desemprego ou abandono da profissão dos não financiados nos concurso ou ainda daqueles que, tendo como alternativa profissional precária uma bolsa, deixaram de ser elegíveis por força da recente alteração do Estatuto do Bolseiros de Investigação”.

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