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75% dos eletrodomésticos usados são desviados para sucata ou exportação

Três de cada quatro equipamentos elétricos usados e colocados na via pública para recolha dos serviços municipalizados não chegam às unidades de tratamento para descontaminação e reciclagem.
Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília | Flickr

O estudo Weee-Follow, promovido pela Associação de Gestão de Resíduos Eletrão, entre 2020 e 2021, identificou os desvios de equipamentos elétricos usados e possíveis rotas de mercado paralelo, de acordo com a agência Lusa. Foram monitorizados frigoríficos, torres de computadores, máquinas de lavar e fogões, já que são os equipamentos de maior valor devido aos seus componentes.

Em comunicado, no dia em que se assinala o Dia Internacional dos Resíduos Elétricos, 14 de outubro, o Eletrão referiu que “o percurso de 73 equipamentos, distribuídos em 12 dos concelhos mais populosos da área de Lisboa e Porto, foi monitorizado em tempo real através de GPS instalados (...) em cada um dos aparelhos”.

Esta monitorização “revelou que a esmagadora maioria dos aparelhos colocados na via pública, para recolha por parte dos serviços municipais, é canalizada para o circuito informal, o que significa que os equipamentos são transformados em muitos casos em sucata metálica sem que seja acautelada a sua descontaminação”, aponta o comunicado.

Segundo o estudo, só 25% dos equipamentos chegam a um Operador de Tratamento de Resíduos licenciado para descontaminar os aparelhos e recuperar os materiais reciclados.

O Eletrão conseguiu perceber, através da monitorização GPS, que “muitos equipamentos foram encaminhados para operadores que não estão capacitados para o tratamento de equipamentos elétricos e para portos marítimos, o que significa que alguns aparelhos acabam por ser exportados”.

“Mesmo quando são entregues pelos cidadãos em ecocentros e em outros locais fixos das câmaras municipais, de acesso público, uma parte significativa (37%) destes equipamentos elétricos usados é desviada”, alerta a associação.

O estudo aponta ainda que a recolha nos canais municipais representa apenas 0,7 quilos por habitante/ano e fica muito abaixo de outros países da União Europeia como a Espanha ou França, onde se regista 4,4 quilos por habitante/ano.

O diretor-geral do Eletrão, Pedro Nazareth, disse que “o resultado deste projeto demonstra que urge privilegiar soluções para a recolha de equipamentos elétricos usados porta-a-porta, como o Eletrão já está a fazer, no âmbito de um projeto piloto, em Lisboa, em complemento com a recolha municipal na via pública”.

Os resultados deste estudo vão inspirar um projeto que será dinamizado à escala nacional e alargado às restantes entidades gestoras de equipamentos elétricos.

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