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72% dos irlandeses querem referendo sobre disciplina orçamental

A grande maioria dos irlandeses defende que o pacto orçamental preconizado por Angela Merkel, que será discutido esta segunda-feira na Cimeira Europeia e que obriga os países a limitar os seus défices estruturais a 0,5% do PIB, não deve ser ratificado pela Irlanda sem ser submetido previamente a referendo.

Segundo uma sondagem encomendada à empresa Red C pelo Sunday Business Post, quase três quartos dos irlandeses querem levar a referendo o acordo de disciplina orçamental imposto pela Alemanha, e que deverá prever duras sanções para os países que não respeitarem os limites do défice impostos, impedindo-os, nomeadamente, de acederem aos financiamentos provenientes do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).

Enda Kenny, o primeiro-ministro irlandês, já veio afirmar que só irá realizar um referendo se for legalmente exigido nos termos da Constituição irlandesa. 

Esquerdas irlandesas exigem referendo

Na semana passada, vários grupos de esquerda, incluindo o Sinn Féin, o United Left Alliance, o Partido Trabalhista (Labour), e o Éirígí (formado por um grupo de antigos ativistas do Sinn Féin), lançaram uma Campanha Contra o Tratado de Austeridade (Campaign Against Austerity Treaty), exigindo que o governo realize um referendo sobre esta matéria.

Os proponentes consideram que “a proposta de novo Tratado sobre Estabilidade, Coordenação e Governança na União Económica e Monetária daria à Comissão Europeia e ao Tribunal de Justiça poder para determinar a estratégia orçamental dos Estados membros da UE” e “iria transferir o poder do povo irlandês e do Parlamento para a União Europeia”, defendendo que “há uma exigência constitucional e política para um referendo sobre essa proposta”.

Richard Boyd Barrett, da United Left Alliance, considera que este Tratado terá consequências mais profundas do que qualquer outro que a Irlanda tenha sido solicitada a assinar em toda a sua história. O Tratado “mostra total desprezo pela democracia” e terá “consequências para as gerações vindouras”, defende Boyd Barrett.

Eoin O'Broin, do Sinn Féin, alerta para o facto do Tratado querer "impor austeridade draconiana à Irlanda indefinidamente no futuro”. O Tratado “é mau tanto na esfera política como económica”, reforça Eoin O'Broin.

Padraig Mannion, do Partido Trabalhista, considera que se tornará impossível o governo não promover um referendo sobre esta matéria. 

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