Segundo testemunhou a associação Habita, um dos moradores sem alternativa de habitação foi agredido e detido pela polícia no local. “Tamanha violência é inaceitável, não pode continuar a acontecer num Estado de Direito”, diz a associação, considerando a situação “uma selvajaria e um ataque aos mais vulneráveis, quando o ónus está no Estado (governo e autarquias) que não desenvolvem as políticas necessárias e da sua responsabilidade para que o direito à habitação seja uma realidade em Portugal”.
Os moradores ameaçados de despejo e que não têm alternativa de realojamento – por estarem excluídos do Programa Especial de Realojamento lançado em 1993 – têm insistido junto do Ministério do Ambiente para que interceda junto da Câmara da Amadora no sentido de travar estes despejos. Entre os despejados desta terça-feira, há famílias com recém-nascidos.
Também a relatora especial da ONU para a Habitação Adequada, em visita a Portugal no ano passado, condenou as demolições e apelou à sua suspensão.
No entanto, a Câmara da Amadora continua indiferente a estes pedidos e em janeiro a sua presidente, Carla Tavares, do PS, foi ao parlamento dizer aos deputados do grupo de trabalho sobre habitação que as demolições iriam continuar.