Miguel Portas na Grécia com eurodeputados do GUE/NGL

23 de fevereiro 2012 - 0:44

Miguel Portas integra a delegação de 10 eurodeputados de seis nacionalidades da Esquerda Unitária (GUE/NGL) que se encontram na Grécia para tomar o pulso à situação no país sobretudo depois de ter sido colocado sob tutela de Bruxelas e Berlim como protectorado dentro da União Europeia.

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Trabalhadores da Hellenic Steel em greve

A delegação terá encontros com representantes dos dois partidos da esquerda parlamentar que se opõem à política de austeridade, com organizações sociais e visitará trabalhadores em greve.

Além de Miguel Portas, eleito pelo Bloco de Esquerda, integram a delegação os eurodeputados Gabi Zimmer e Sabine Losing (Die Linke, Alemanha), Paul Murphy (PS, Irlanda), Charalampos Angourakis e Giorgos Toussas (PC da Grécia), Nikos Chountis (Coligação Syriza, Grécia), João Ferreira (PCP, Portugal), Patrick Le Hyaric (Frente de Esquerda, França) e Kyriacos Triantaphyllides (AKEL, Chipre)

O programa inclui em primeiro lugar um encontro com organizações sociais, seguido de uma visita aos trabalhadores em greve na siderurgia Hellenic Steel Company SA, em Elfesina.

À tarde a delegação avistar-se-á em primeiro lugar com uma delegação de deputados do Partido Comunista da Grécia e a seguir com uma delegação de deputados da Coligação de Esquerda Syriza.

Às 17 horas os membros do GUE/GNL testemunham as suas impressões numa conferência de imprensa.

A visita da delegação de eurodeputados à Hellenic Steel Company acontece ao 116º dia de greve dos trabalhadores da empresa do ramo siderúrgico contra o aproveitamento que a administração pretende fazer da crise através de reduções de salários e despedimentos.

Segundo os trabalhadores, a empresa não está a ser afectada pela situação, o volume de encomendas não diminuiu mas a administração pretende impor o regime de cinco dias de trabalho semanal com salários entre 500 e 600 Euros, inferiores ao salário mínimo..

Além disso, os encargos com o trabalho não constituem o principal problema de que a empresa se pode queixar. Como a própria administração reconhece, a perda de competitividade do aço grego deve-se aos custos elevadíssimos da energia industrial, que têm acompanhado os elevados aumentos do preço da electricidade.

Como os trabalhadores se recusaram a aceitar as imposições, o governo tentou interferir como “árbitro” sempre com a ideia da “liberalização do mercado de trabalho” em mente como objectivo. A administração começou entretanto a efectuar despedimentos, optando inicialmente pelos trabalhadores com menos tempo de empresa. As últimas medidas impostas em troca do novo resgate à Grécia, que facilitam os despedimentos, reduzem drasticamente as indemnizações e permitem alterações arbitrárias de horários de trabalho bastando as empresas apresentar perdas, são as novas ameaças que pairam sobre os trabalhadores.


Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.

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