Está aqui

21 bilionários do Médio Oriente ganharam 8.500 milhões de euros durante pandemia

Um relatório da Oxfam diz que o aumento da riqueza dos 21 bilionários do Médio Oriente e Norte de África durante os meses da pandemia representa quase o dobro do necessário para reconstruir Beirute. Enquanto isso, 45 milhões de pessoas foram arrastadas para a pobreza na região.
Imagem Oxfam-Mena

O relatório “Para uma Década de Esperança e Não de Austeridade do Médio Oriente e Norte de África” foi lançado esta quinta-feira pela ONG Oxfam. Nele é apontado o aumento da desigualdade nesta região provocado pela pandemia da covid-19. A organização estima que apenas 21 bilionários tenham visto aumentar a sua riqueza em cerca de 10 mil milhões de dólares (8.500 milhões de euros) desde o início da pandemia.

“A pandemia pôs em evidência as profundas desigualdades e os falhanços colossais nos nossos sistemas económicos, deixando milhões de pessoas na nossa região sem emprego, sem acesso a cuidados de saúde ou a qualquer tipo de apoio social, enquanto permitiu aos bilionários acrescentarem mais de 63 milhões de dólares (58 milhões de euros) às suas fortunas por cada dia após o início da pandemia”, afirmou Nabil Abdo, responsável pela Oxfam no Médio Oriente e Norte de África.

Antes do aparecimento do novo coronavírus, esta região já era uma das que apresentava maiores índices de desigualdade no planeta: 76% do rendimento está nas mãos de 10% da população e 37 bilionários detêm uma fatia da riqueza semelhante a metade da população adulta.

“A menos que os governos deem prioridade imediata às pessoas em vez dos lucros e os ricos paguem a sua fatia justa, muitos milhões irão ser empurrados para o limiar da pobreza e verão negados os seus direitos fundamentais”, aponta a organização, dando o exemplo do Líbano. Se o governo libanês tivesse aprovado um imposto de solidariedade de 5% sobre a riqueza no ano passado, teria recolhido cerca de 3.400 milhões de dólares  que poderiam ajudar a reconstruir a infraestrutura de água e eletricidade no país e financiar serviços de apoio à população na sequência da explosão que destruir parte da capital.

A organização calcula que apenas 11% dos pacotes de estímulo à economia na região se destinam à proteção social e ao sistema de saúde. Ao mesmo tempo, 89% dos 16 milhões de trabalhadores informais estão em sérias dificuldades devido à crise económica dos últimos meses. As previsões apontam para uma queda de 45% do investimento estrangeiro e um aumento de 1.7 milhões de desempregados.

“A austeridade esmagadora nos últimos anos podia ter sido evitada se os mais ricos da região tivessem pago mais imposto, uma despesa que podem acomodar facilmente. Essa alternativa teria dado aos países maior flexibilidade nas suas políticas de despesa e sobretudo permitido à região atravessar a crise do coronavírus com menos desigualdade e menos dívida”, acrescentou Nabil Abdo.

Termos relacionados Internacional
(...)