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13 maio 68: início da Greve Geral em França

Uma gigantesca manifestação, que mobiliza mais de 500 mil pessoas, paralisa Paris. Por toda a França há manifestações e tem início uma greve geral, que durará semanas. O protesto já não é apenas estudantil, é uma revolta social. Por Carlos Santos.
A manifestação de 13 de maio de 68 em Paris mobilizou mais de 500 mil pessoas
A manifestação de 13 de maio de 68 em Paris mobilizou mais de 500 mil pessoas

A grande manifestação que enche as ruas de Paris é encabeçada pelas principais centrais sindicais, CGT e CFDT e envolve estudantes e trabalhadores. Boa parte da população participa no movimento e a maioria apoia-o. Semelhantes manifestações têm lugar em muitas outras cidades de França. O apelo à greve geral, feito por Daniel Cohn-Bendit na manhã de 11 de maio1, após a repressão da noite das barricadas, é seguido em todo o país, contra todas as previsões, nomeadamente do governo. O Presidente da República, De Gaulle, parte a 14 de maio para uma visita à Roménia, que durará até 19 de maio.

As greves e ocupações de empresas multiplicam-se a partir de 13 de maio e aumentam, diariamente durante semanas. A 20 de maio, uma semana depois, o número de grevistas será entre 7 e 9 milhões de trabalhadores, o número de dias de greve durante este período é de 150 milhões, segundo as estatísticas2. Mais de 4 milhões de pessoas estarão em greve durante três semanas, mais de dois milhões durante um mês. A Sorbonne estará ocupada durante um mês.

Esta é a maior e mais prolongada greve geral da história de França.

As greves na Renault foram marcantes, no maio de 1968
As greves na Renault foram marcantes, no maio de 1968

Neste período efetuam-se negociações variadas e serão assinados os acordos de Grenelle (a 27 de maio), entre o governo de Pompidou, o patronato e as centrais sindicais3. Nestes acordos, são aprovados um aumento de 35% do salário mínimo e de 10%, em média, para os restantes níveis salariais. É também aprovada a possibilidade de criação de secção sindical em cada empresa.

Os acordos não tiveram, no entanto, significativo impacto nas greves e ocupações, que se irão manter até à dissolução da Assembleia Nacional, a 29 de maio, e à realização da manifestação de apoio ao governo a 30 de maio.

Em todo este período faltou à esquerda resposta e alternativa para a situação. O Partido Comunista de França opôs-se desde início ao movimento estudantil e a sua principal preocupação foi acabar com a agitação e a crise.

Por Carlos Santos para esquerda.net


Notas:

2 Dados em npa2009.org.

Termos relacionados 1968 – 50 anos depois, Cultura
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