A grande manifestação que enche as ruas de Paris é encabeçada pelas principais centrais sindicais, CGT e CFDT e envolve estudantes e trabalhadores. Boa parte da população participa no movimento e a maioria apoia-o. Semelhantes manifestações têm lugar em muitas outras cidades de França. O apelo à greve geral, feito por Daniel Cohn-Bendit na manhã de 11 de maio1, após a repressão da noite das barricadas, é seguido em todo o país, contra todas as previsões, nomeadamente do governo. O Presidente da República, De Gaulle, parte a 14 de maio para uma visita à Roménia, que durará até 19 de maio.
As greves e ocupações de empresas multiplicam-se a partir de 13 de maio e aumentam, diariamente durante semanas. A 20 de maio, uma semana depois, o número de grevistas será entre 7 e 9 milhões de trabalhadores, o número de dias de greve durante este período é de 150 milhões, segundo as estatísticas2. Mais de 4 milhões de pessoas estarão em greve durante três semanas, mais de dois milhões durante um mês. A Sorbonne estará ocupada durante um mês.
Esta é a maior e mais prolongada greve geral da história de França.
Neste período efetuam-se negociações variadas e serão assinados os acordos de Grenelle (a 27 de maio), entre o governo de Pompidou, o patronato e as centrais sindicais3. Nestes acordos, são aprovados um aumento de 35% do salário mínimo e de 10%, em média, para os restantes níveis salariais. É também aprovada a possibilidade de criação de secção sindical em cada empresa.
Os acordos não tiveram, no entanto, significativo impacto nas greves e ocupações, que se irão manter até à dissolução da Assembleia Nacional, a 29 de maio, e à realização da manifestação de apoio ao governo a 30 de maio.
Em todo este período faltou à esquerda resposta e alternativa para a situação. O Partido Comunista de França opôs-se desde início ao movimento estudantil e a sua principal preocupação foi acabar com a agitação e a crise.
Por Carlos Santos para esquerda.net
Notas:
1 Ler artigo A noite das barricadas há 50 anos em Paris
2 Dados em npa2009.org.
3 Ver wikipedia: https://fr.wikipedia.org/wiki/Accords_de_Grenelle