“Voto no PS é um voto inútil”

01 de junho 2011 - 2:34

Esta terça-feira, num comício com a casa cheia no Barreiro, Francisco Louçã defendeu que “o voto no PS é um voto inútil porque, seja Governo ou oposição, o PS votará sempre a favor do acordo com a troika”. Intervieram também Fernando Rosas e Mariana Aiveca.

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Fernando Rosas defendeu que o voto é “um instrumento do povo” e por isso “não votar é capitular, é desistir”. Foto de Paulete Matos.

No comício no Barreiro, esta terça-feira, Francisco Louçã criticou a escolha da abstenção “que é sempre abstenção, é fugir à responsabilidade, é desistir” e defendeu que cada voto é decisivo. Neste sentido, considerou, o voto no PS um “voto paralisado, inútil” porque “seja Governo ou oposição o PS votará sempre a favor do acordo com a troika”.

O voto no PS “é inútil, é um voto perdido”, continuou Louçã, porque o PS, em qualquer das situações, “votará contra as pessoas, cortará sempre as pensões, reduzirá sempre o subsídio de desemprego”.

Estas eleições são diferentes, defende o dirigente do Bloco, “nas últimas havia promessas, que depois não foram cumpridas – Sócrates disse que não aumentaria impostos e o IVA subiu 4 pp – mas agora não dizem nada porque estão já comprometidos e farão o que o acordo com a troika dita”. “Não são promessas, só há certezas”, afirmou, mais a certeza de que “o caminho é o da Irlanda, que pediu um novo empréstimo, e o da Grécia, que um ano depois está em bancarrota”.

O voto no PS é um voto “inútil e comprometido” pois “José Sócrates não quer nenhuma ponte com a esquerda, “nem quer ouvir falar de políticas para o emprego ou de uma reforma da Segurança Social que traga mais justiça com um imposto sobre as grandes fortunas”. O voto no PS é também um “voto com brinde” porque “comprometido com uma aliança à direita”, pois implica um voto num Governo onde também entra o CDS e o PSD.

É também um “voto perigoso para as pessoas”, defende Francisco Louçã, porque implica o congelamento das pensões, cujas perdas num ano com a inflação, a cada mês, representam um subsídio de Natal, cortes para todos os trabalhadores com a paralisação dos contratos, a redução dos direitos e dos salários. É também um voto “destrutivo”, disse, porque “destrói as leis do trabalho, substituindo a justa causa nos despedimentos, que a Constituição protege, pelo puro arbítrio que é a inadaptação, a causa injusta”.

Em discurso directo, o dirigente bloquista apelou ao voto questionando: “O voto é teu até domingo, mas vais entregá-lo a alguém que depois cantará vitória com o teu voto para cortar nas pensões, privatizar os CTT, decretar o fim da escola pública, tornar o SNS mais caro, obrigar-nos a pagar os 30 mil milhões de euros de juros, promover a precariedade, desproteger os mais idosos?”

“O teu voto vai decidir”, disse ainda. O voto no Bloco é “um voto de aliança pelo emprego, de compromisso contra o trabalho precário e de aliança contra a corrupção a favor de contas certas - com impostos onde eles nunca existiram e onde só houve o pasto do privilégio, nas mais-valias urbanísticas, nas transferências para offshores, operações bolsistas – um voto que protege a economia”. E rematou dizendo: “Quanto mais força tem o Bloco de Esquerda, mais força tens tu. Diz ao país: justiça”. 

O dirigente do Bloco contou a visita que realizou esta manhã à Associação de Doentes Diabéticos, e sublinhou o trabalho realizado por esta, que é a maior associação de doentes do país, como exemplo de que “é possível ter um serviço de saúde próximo das pessoas, de dar aos outros o que precisam”. 

Lembrou ainda que o Serviço Nacional de Saúde é das primeiras “vítimas” do acordo com a troika e o desemprego a pior consequência – “13 por cento de desemprego é o dobro da marca de governação que José Sócrates criticava na campanha que o elegeu pela primeira vez”.

Louçã referiu também uma proposta concreta de combate à precariedade: as empresas terão de responder pelo uso de falsos recibos verdes perante a ACT, e se não o fizerem incorrerão em crime de desobediência qualificada.

“Vamos eleger o terceiro deputado em Setúbal”

Fernando Rosas lembrou a maior votação da história do Bloco no distrito de Setúbal que nas últimas legislativas elegeu 2 deputados e por muito pouco não elegeu o terceiro. Mas “nestas eleições vamos eleger o terceiro deputado, António Chora”, disse. O mandatário da lista do Bloco pelo distrito enalteceu as qualidades e o percurso político dos três primeiros candidatos da lista: Mariana Aiveca, sindicalista, “voz firme e corajosa no parlamento”; Jorge Costa, activista e dirigente do Bloco, “valiosa” experiência militante; António Chora, operário, dirigente da comissão de trabalhadores da Auto-Europa, “exemplo de luta pelo trabalho com direitos”.

Fernando Rosas defendeu ainda que o voto é “um instrumento do povo” e por isso “não votar é capitular, é desistir”. 

Mariana Aiveca acusou PS, PSD E CDS de esconderem o seu programa comum, que corresponde ao acordo com troika, e de tentarem “convencer-nos da nossa fraqueza e da impossibilidade de controlo das nossas vidas”.

A deputada e primeira da lista bloquista por Setúbal contou que o Bloco esteve em escolas da região onde são contratados funcionários à hora e recebendo 3 euros/h. “Mas nós não aceitamos o programa da troika, a redução dos funcionários públicos e o desmantelamento dos serviços públicos”, afirmou.

“Este é um programa da recessão”, disse, contrapondo com propostas do Bloco como a criminalização do uso abusivo dos falsos recibos verdes para combater a precariedade, direito à reforma para quem tem 40 anos de descontos, a renegociação da dívida. “O Bloco propõe Justiça”, afirmou e por isso defende, em Setúbal, um hospital no Seixal e que cada cidadão do distrito tenha direito a um médico de família”.

 

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