Esta quarta-feira 26 de Maio, em Lisboa, na Livraria Ler Devagar (Lx- Factory), pelas 21 horas, a CULTRA (Cooperativa Cultura, Trabalho e Socialismo) promove a a exibição do documentário “Rocío”, de Fernando Ruiz Vergara, um encontro invulgar com a história recente espanhola. Um filme incómodo, cuja exibição acabaria por ser proibida em Espanha por ter identificado as vítimas e, principalmente, os principais responsáveis da repressão franquista em Almonte, local da famosa romaria que dá título ao filme.
Nestas sessão haverá debate com a presença do realizador, Vergara, e do historiador Francisco Espinosa Maestre. Um debate que ocorre no momento em que o juiz Baltasar Garzón foi suspenso de investigar os crimes da Guerra Civil de 1936-39 e do franquismo sob a acusação de «abuso de poder».
Rocío foi estreado em 1980, em Alicante, e chegou a ser premiado no Festival de Cinema de Sevilha. Mas identificar os agentes da ditadura de Franco custou caro ao realizador: perseguido pela família Reales, Fernando Ruiz Vergara chegou a ser condenado em milhões de pesetas e só não foi para a prisão graças à intervenção do seu advogado. Por decisão judicial, a exibição da película mantém-se proibida no país vizinho, cuja vida política continua agitada pelas sombras do franquismo e da sua memória.
Aliás, o historiador Francisco Espinosa Maestre (também presente na próxima sessão) foi um dos fundadores da Associação «Todos los nombres», dedicada às vítimas da ditadura de Franco, e fez parte da comissão que assessorou Garzón na sua iniciativa recentemente gorada. Como se vê, o passado continua a doer.