“Quantos bancos são precisos para fazer um povo miserável?” - c/vídeo

21 de maio 2011 - 20:50

Este sábado, o Bloco organizou uma festa multicultural contra a austeridade na Damaia, Amadora. Na sua intervenção, Luís Fazenda reformulou a conhecida frase de Almeida Garrett e criticou o termo “ajuda” externa como sendo uma expressão “cínica” que apenas significa “a escravização do povo”.

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Durante a “festa contra austeridade” que decorreu na Damaia, Amadora, organizada pelo Bloco, o deputado e candidato bloquista pelo círculo eleitoral de Lisboa Luís Fazenda saudou o evento que “espelhou o cruzamento de culturas, essa nova linguagem da cidadania nas cidades”. “Temos de fazer disso uma força”, disse.

De seguida, Luís Fazenda referiu-se às “praças do mundo”, do Egipto a Espanha e Portugal, como locais onde se “ensaia a força da insubmissão, contra o ciclo infernal do pior ao mesmo, do mesmo ao pior”. Lembrando que os protestos em Espanha se inspiraram no 12 de Março da geração à rasca portuguesa, afirmou que “nós não queremos um capitalismo rasca, queremos políticas socialistas pelos serviços públicos, pelo emprego, pelos salários, pelas pensões”.

Referindo-se à austeridade do acordo com a troika, assinado também pelo PSD e CDS, questionou “será inevitável?”. Respondeu dizendo que o termo “ajuda” externa, é na verdade, uma expressão cínica e hipócrita. O seu verdadeiro significado é a “escravização do povo português, pois a ‘ajuda’ é apenas para a banca e para os juros altíssimos que teremos de pagar”.

Luís Fazenda rematou então com uma reformulação da conhecida frase de Almeida Garrett – quantos pobres são precisos para fazer um rico? – e perguntou também “quantos bancos são precisos para fazer um povo miserável?”

A escolha, argumentou o dirigente do Bloco, é “contra o pacote da imposição. Caso contrário, adianta, daqui a três anos o país estará mais endividado, mais pobre, haverá menos direitos e mais desemprego. É por isso que o Bloco aposta na bandeira da Justiça e apela ao voto no dia 5 de Junho. “Não continuaremos à rasca”, disse.

Dirigindo-se à população imigrante, Luís Fazenda lembrou ainda que o Bloco foi o único partido a defender o voto para os imigrantes porque “defende uma cidadania plena”.

“O que nos tentam impor não é obrigatório”

A deputada e também candidata por Lisboa Helena Pinto também interveio, sublinhando a actuação das Mulheres do Batuque do Bairro 6 de Maio, “um exemplo de coragem e de força”. 

A deputada lembrou as centenas de famílias da Amadora que não têm ainda uma habitação digna, criticando o “falhanço” da Câmara Municipal e também do Governo. Além disso, referiu-se ao “muro da vergonha” que separa a Damaia de Benfica, como “um exemplo da acção de quem faz política a pensar apenas nos grandes interesses”.

Afirmando que “o que nos tentam impor não é obrigatório, como o congelamento das pensões sou o trabalho precário”, Helena Pinto acabou a sua intervenção com um apelo ao voto.

Durante a Festa do Bloco interveio também o membro bloquista da Assembleia de Freguesia da Damaia, António Veloso, que insistiu na ideia de que “face à crise a solução não é desistir”. “Querem chantagear-nos mas nós somos cidadãos de plenos direitos e temos de lutar por eles”.

 

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