José Manuel Pureza, cabeça de lista pelo distrito de Coimbra, agradeceu “a grande lição de coragem e de liberdade” que dão ao país as personalidades que têm vindo a afirmar o apoio público à sua candidatura, entre as quais, José Reis, ex-secretário de Estado de António Guterres, Maria Rosário Gama, Elísio Estanque, Jorge Leite e Boaventura Sousa Santos.
Esta segunda-feira, no comício no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, o candidato defendeu que “a crise não é uma abstracção”. A crise é a pobreza infantil, “a indecência de um país feito dessa desigualdade crua, dessa desigualdade gigantesca”, é “este país que da infância até à velhice nos priva de um futuro que seja realmente nosso”, avançou.
O actual líder parlamentar do Bloco de Esquerda lembrou a declaração de José Sócrates, que afirmou que o pior da crise seria “darmos um calote aos credores”. José Manuel Pureza declarou que José Sócrates “escusa de insinuar que deste lado vem um convite à desonra do país”. “Nós queremos pagar as dívidas que o país realmente contraiu, mas não queremos pagar a dívida que a banca contraiu para sustentar a sua especulação”, adiantou.
O dirigente do Bloco deixou um aviso: “não nos calaremos na identificação do calote e de quem são os seus credores”. Os credores, antecipou, são “os pobres, os precários, os idosos, os desempregados” e o calote é o buraco do BPN, a “iniquidade fiscal dos bancos” e o offshore da Madeira.
José Manuel Pureza identificou, durante o seu discurso, aquele que é o “rosto político da crise”. “O rosto político da crise é o governo do empate técnico”, afirmou, e a “nossa responsabilidade é desempatar o país.”
O cabeça de lista por Coimbra respondeu ainda àqueles que afirmam que o Bloco “se esgota no protesto” e que não se quer comprometer com a governação do país. O candidato elencou e reafirmou “firmemente” os vários compromissos que o Bloco já apresentou publicamente e deixou um alerta: “ainda nos hão-de pedir que flexibilizemos os nossos compromissos, desenganem-se, não o faremos”.
“Se nós pedimos dívida a juros insuportáveis para pagar dívida ficaremos cada vez piores”
Francisco Louçã comentou esta segunda-feira a afirmação da troika, que declarou que os partidos deviam nomear um alto-comissário para começar os estudos para todos os “prazos curtos” das medidas previstas nos memorandos. “A troika está enganada”, afirmou Louçã, “os comissários já estão nomeados, chamam-se José Sócrates, Paulo Portas e Pedro Passos Coelho”.
O coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda sublinhou que “a troika quer uma combinação entre estes partidos e nem lhe importa qual, desde que esta assuma “o compromisso da recessão, a garantia do empobrecimento do país”. Louçã lembrou ainda que algumas das medidas previstas só têm sete semanas para serem aplicadas, sendo que uma das mais importantes é a redução da Taxa Social Única.
O dirigente do Bloco esclareceu qual é o impacto desta medida, que implicará que “a segurança social passe a depender não do valor produzido, não do valor que o trabalhador gerou mas, pelo contrário, das decisões políticas casuísticas de cada maioria” que determinará qual o montante dos impostos que será afecto à segurança social.
O dirigente do Bloco comentou também as notícias divulgadas durante o dia sobre a possibilidade de a Grécia não conseguir fazer os seus pagamentos. Louçã recordou que também já sabemos que a Irlanda, “que ainda não tem seis meses de intervenção destes programas”, já está a pedir um segundo empréstimo. “Por uma única razão”, avançou, “que é a mesma razão que nos afecta: se nós pedimos dívida a juros insuportáveis para pagar dívida ficaremos cada vez piores”. Esta é, para Louçã, mais uma evidência que aponta para a urgência da renegociação da dívida.
Francisco Louçã alertou ainda para o facto de a União Europeia poder “estar à beira de impor soluções “colonialistas”. Estará a ser promovida, conforme adiantou o dirigente do Bloco, uma discussão na Comissão Europeia e no Banco Central sobre “um passo em frente que nunca ninguém se atreveu a dar, que é a afirmação pura do colonialismo”. Segundo é noticiado no Financial Times, citado por Louçã, “as autoridades europeias estariam a discutir tomar em conta elas próprias, sem passar pelas autoridades eleitas na Grécia, o programa de privatizações”.
Troika estrangeira dá a conhecer aquilo que a troika portuguesa esconde
O comício do Teatro Académico Gil Vicente contou também com as intervenções de Marisa Matias, deputada do Bloco no Parlamento Europeu, e José António Bandeirinha, mandatário distrital da candidatura.
O mandatário distrital explicitou as razões que o levaram a aceitar representar a candidatura do Bloco, afirmando que José Manuel Pureza é “o candidato que mais se sublevou contra o estado de coisas a que chegou esta cidade e esta região”.
Marisa Matias agradeceu à “troika estrangeira” por nos ter dado a “conhecer aquilo que a troika portuguesa não nos dá a conhecer – um programa” e sublinhou as “disputas frágeis e fictícias entre PS, PSD e CDS”.