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O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, disse que o encontro entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro José Sócrates demonstrou “a arrogância do governo alemão, que trata os países como Portugal como uma província distante, e uma visão mesquinha, que vai destruindo a Europa”.
Para Louçã, se “os governos não o fazem”, então “têm de ser os europeus a tomar em conta a prioridade fundamental: uma Europa que avance no emprego, que responda aos jovens precários, que resolva os problemas que os governos estão a agravar, com esta visão da austeridade, da flexibilidade do trabalho, do desemprego”.
É neste contexto que se realiza este sábado um encontro promovido pelo Partido da Esquerda Europeia, do qual faz parte o Bloco de Esquerda, que vai reunir partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais europeus no sábado, na Casa da Música, no Porto. Nele pretende-se discutir a criação de uma plataforma comum para defender “a economia europeia e o emprego”, disse Louçã.
Esta iniciativa, na perspectiva de uma Europa social, seria realizada ao abrigo da “Iniciativa Cidadã”, pela qual um milhão de cidadãos da União Europeia pode requerer à Comissão Europeia que se pronuncie sobre uma determinada proposta legislativa.
Iniciativas nas ruas
Desta plataforma, assim, poderão sair iniciativas nas ruas, acções comuns dos partidos e a recolha de um milhão de assinaturas para levar à Comissão Europeia a proposta de uma taxa sobre as transacções financeiras e sobre os lucros do sistema financeiro, explicou Louçã.
“Tem de ser a Europa da democracia que, a partir de baixo, diz à senhora Merkel ou ao senhor Sócrates, a todos os governantes, que não podemos continuar a fechar os olhos a esta degradação da nossa Europa”, disse.
O coordenador do Bloco propõe a criação de um sistema de tributação “que seja justo e que evite este colapso da economia europeia, em que os Estados se endividam para financiar a banca e a banca cobra juros cada vez mais elevados”.
Sobre a Cimeira Europeia e a reunião de chefes de Estado e de governo da zona euro, a 11 de Março, Louçã considerou que a reunião estará “presa à ideia de aumentar a idade da reforma para 67 anos”, questionando: “Vamos aceitar que assim seja, que sejam destruídos os direitos dos trabalhadores?”