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“Esta foi a semana da queda das máscaras”

A máscara dos banqueiros, desde logo. Com o à vontade de quem se sabia credor da vénia e da cumplicidade do poder político, deram um golpe de estado palaciano que, ao cortar o crédito ao Estado, impõe a todos um tratamento de choque de um FMI a todo o vapor.

A máscara dos banqueiros, desde logo. Não tinham hesitado em correr para os braços do Estado quando os desvarios e crimes de uma especulação sem rei nem roque os deixou sem pé.

Mas agora, com o à vontade de quem se sabia credor da vénia e da cumplicidade do poder político, deram um golpe de estado palaciano que, ao cortar o crédito ao Estado, impõe a todos um tratamento de choque de um FMI a todo o vapor. Dois dias depois o golpe triunfou e o governo pediu a intervenção externa.

A segunda máscara caída foi a de José Sócrates. O Primeiro Ministro adoptara a retórica da resistência ao FMI como sua encenação eleitoral. “Só por cima do meu cadáver!”, era a sua mensagem tonitruante. Durou menos de uma semana. E o país ficou a perceber que se os bancos se davam ao luxo de chantagear a democracia era porque se sentiam à vontade para isso. Mais, o país pôde confirmar que as sucessivas cedências à pressão dos especuladores – os sucessivos PECs – não foram mais que o prelúdio desta decisão.

A terceira máscara caída foi a do PSD. Que o seu não ao PEC IV fora um arrufo de circunstância, era óbvio. Nenhuma discordância com os conteúdos, apenas cálculo eleitoral. Agora, assegurada a sempre esperada vinda do FMI, aí está de novo o PSD a reclamar acordo para se escudar atrás da autoridade externa e disfarçar a sua estratégia de penalização social e económica do país.

Agora é a hora da democracia. A ela o Bloco de Esquerda responderá com a noção das exigências que nos são feitas. Responderemos com clarificação ao nevoeiro. Responderemos com tenacidade à chantagem. Responderemos com unidade ao sectarismo. Esta é para nós uma hora de confiança.

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