O Banco de Portugal (BdP) reviu esta terça-feira em baixa a sua previsão de crescimento económico para este ano, de -1,3 para -1,4 por cento, e antecipou que medidas adicionais de austeridade deverão conduzir a uma nova recessão em 2011.
“O resultado destas políticas é um défice e uma recessão cada vez mais grave. Mas o BdP nem sequer contou com a possibilidade do Banco Central aumentar os juros e de futuros Governos terem mais políticas de austeridade, o que aumenta as dificuldades da economia portuguesa”, disse à Lusa Francisco Louçã, na Universidade de Coimbra, no final de um debate com estudantes na Faculdades de Letras.
Para o dirigente do Bloco de Esquerda, o “efeito cumulativo da recessão quer dizer, nos termos do BdP, mais 50 mil desempregados só este ano. Chegamos aos 800 mil desempregados com este cenário, que é devastador numa economia, um empobrecimento”.
Segundo Francisco Louçã, “isso só realça a razão do Bloco para combater por uma transformação, por trazer a economia a prioridades que sejam o emprego contra a recessão”.
“E é isso que se vai discutir nas próximas eleições. Medidas concretas, práticas, mobilizadoras, orçamentadas, detalhadas que demonstrem que podemos ter uma economia que resista e se desenvolva e que amplie a capacidade de resposta às pessoas”, sublinhou o deputado.
“UE devia ter agência de notação financeira própria”
Sobre o corte do ‘rating’ de Portugal pela Standard & Poor’s, Louçã acusou as agências de notação financeira de “pirataria financeira organizada” e de “assalto à economia portuguesa”, em que os seus clientes “beneficiam do facto de Portugal ter o ‘rating’ cortado”.
O dirigente do Bloco voltou a defender que a União Europeia devia ter criado “há muito tempo” uma agência de notação financeira “séria, consistente, confiável, que permitisse certificar os juros da dívida soberana”.
“Não faz sentido um Estado comportar-se como se fosse uma empresa a pedir dinheiro emprestado”, acrescentou, salientando que a certificação da dívida soberana devia ser efectuada por organizações internacionais e não “empresas privadas que estão ao serviço de lucros privados, contra o bem público”.