Com estas sete vítimas mortais sobe para 11 o número de manifestantes mortos no âmbito do movimento de contestação que agita o Iraque há várias semanas.
Cinco manifestantes morreram e dez ficaram feridos em Mossul, no norte do Iraque, quando as autoridades dispersaram uma concentração. Em Hawija morreram outros dois manifestantes. De acordo com o Washington Post, o número de mortos poderá chagar a 13. Os confrontos mais violentos ocorreram nas cidades de Hawija e Mosul, no norte, e em Bassorá, no sul. Em várias regiões, manifestantes tentaram invadir prédios do governo.
Milhares de manifestantes desfilaram pelas ruas de Bagdad e de outras cidades do país no âmbito de um "dia de fúria" destinado a protestar contra a inabilidade do governo, a corrupção e o desemprego. Com cartazes e bandeiras iraquianas, centenas de pessoas afluíram à praça Tahrir, em Bagdad, que estava sob forte segurança. A ponte Jumhuriya, perto dali, foi bloqueada, e veículos foram proibidos de circular na capital.
As mortes ocorreram quando balas atiradas para o ar acabaram por atingir manifestantes concentrados em frente às instalações do governo provincial de Mossul, a 350 quilómetros a norte de Bagdad, afirmou a fonte da polícia.
Em Hawija, a 60 quilómetros a norte da capital, pelo menos dois manifestantes também foram mortos e 20 pessoas ficaram feridas, incluindo sete polícias, em confrontos entre manifestantes e forças da ordem, indicaram fontes da polícia.
“Estamos aqui para mudar para melhor a situação do país. O sistema educacional é mau. O sistema de saúde também é mau. Os serviços vão de mal a pior”, disse Lina Ali, 27 anos, que integra um grupo de jovens manifestantes. “Não há água potável, não há electricidade. O desemprego está a crescer”, sublinha.
Rushdi Ahmed, chefe da Fundação da Casa do Iraque para a Especialização, tentou juntar-se aos protestos em Bagdad, mas foi impedido pelo exército. "Isto é um protesto do povo do Iraque. Nós queremos uma reforma social, emprego para os jovens e supervisão directa, porque há muita corrupção", disse Rushdi à estação de televisão árabe Al Jazira.
"Se [o primeiro-ministro Nuri] al-Maliki não nos ouve, vamos continuar o protesto. Ele disse a todos que somos apoiantes de Saddam, mas isso não correcto. Somos apenas o povo iraquiano".
Na quinta-feira, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, apelou aos iraquianos para não participarem na manifestação organizada por várias associações através do Facebook para protestar contra a incapacidade do governo e acusou os organizadores de serem apoiantes de Saddam Hussein e de "terroristas".
Oito anos depois da invasão norte-americana que depôs o presidente Saddam Hussein, o desenvolvimento no Iraque continua lento e há escassez de alimentos, água, electricidade e empregos.
Os protestos desta sexta-feira foram, de facto, organizados principalmente por meio da rede social Facebook, a exemplo do que aconteceu com as manifestações que acabaram por derrubar os governos da Tunísia e Egipto nas últimas semanas.