Falando para a comunicação social sobre o Acampamento Liberdade 2013 (10ª edição destes acampamentos), a coordenadora do Bloco de Esquerda lembrou que “em Portugal, o desemprego jovem já ultrapassa os 40%” e considerou que “quem se junta aqui neste acampamento, nestes debates, o que quer é soluções para mudar realmente a política”. Catarina Martins realçou que “não vivemos numa altura em que seja possível alternâncias dentro da mesma política”, pelo que se precisa de “uma mudança de fundo no nosso país, uma mudança que passa por recusar a chantagem da dívida”, “por renegociar a dívida” e “recuperar salários e pensões”.
Durante o debate, a coordenadora do Bloco de Esquerda acusou a direita de “estar a conduzir o país para a bancarrota”, “não por ser incompetente”, mas como “instrumento de chantagem”. Catarina Martins realçou que existe uma chantagem, “em Portugal e na Europa”, com a dívida e o medo da bancarrota, para levar a cabo “um processo de compressão dos direitos de quem trabalha, como nunca existiu antes”, sublinhando que estas políticas levam à “maior transferência de sempre do trabalho para o capital”.
Catarina Martins questionou a assembleia de jovens sobre a bancarrota: “Um Estado que não pague aquilo que são as obrigações para com os seus cidadãos, que não pague a Escola Pública, que não pague o SNS, que não pague os salários e as pensões que deve pagar, é um Estado com contas saudáveis, mesmo que seja capaz de pagar as dívidas à finança?”
A coordenadora do Bloco defendeu então a renegociação da dívida dirigida em nome do país e não “dirigida pelos credores”, como aconteceu com a Grécia. Salientou ainda que para além da renegociação da dívida são necessárias outras medidas e que o Bloco tem proposto “um novo sistema fiscal”, “um novo controlo sobre o mundo financeiro para defender a economia real”, com o objetivo de recuperar salários, pensões e o Estado Social.
No final, a coordenadora declarou ainda à comunicação social que o Bloco de Esquerdavotará contra a moção de censura, tendo afirmado:
“Um governo que insiste numa política que falhou, que insiste no programa de ajustamento que traz a tragédia do desemprego, que não é capaz de cumprir nenhuma meta de défice nem de dívida, um governo que tem como protagonistas pessoas que dizem uma coisa num dia e outra no dia seguinte, protagonistas ligados a escândalos financeiros como os swaps ou o BPN, é um governo que não merece a confiança de ninguém e o Bloco de Esquerda com certeza votará contra a moção de confiança!”