Uma delegação da CGTP, composta por Arménio Carlos, secretário-geral, Deolinda Machado e Américo Monteiro, reuniu neste sábado com o bispo do Porto, Manuel Clemente, no Paço Episcopal da Sé do Porto.
À saída do encontro, Arménio Carlos declarou à comunicação social: "Em conjunto, comungámos desta ideia de que estas políticas estão a sangrar cada vez mais o doente e a trazer cada vez mais sofrimento às pessoas".
Arménio Carlos criticou também a política do governo e frisou que “o país não se desenvolve assim”, salientando que "este país só vai para a frente se porventura criar riqueza, criar emprego e melhorar as condições de vida e de trabalho da população. Porque é também a partir daqui que aumenta a receita. Porque quanto melhor forem os salários e o emprego, melhores são as contribuições". "Se isto não acontecer vamos no caminho do precipício", considerou, asseverando que "este é o caminho errado, porque leva a que o país fique numa situação ainda mais difícil do que está hoje."
O secretário-geral da CGTP referiu ainda que disse ao bispo do Porto “que é necessário que todos aqueles que estão desempregados tenham acesso à proteção social", acrescentando que "é possível e fundamental que se verifique uma dinamização do mercado interno, o que passa por uma ligeira melhoria dos salários, particularmente o salário mínimo e as pensões".
"Viemos também dizer que se porventura o Código do Trabalho entrar em vigor, então vai aumentar a austeridade e os sacrifícios dos trabalhadores nos próximos tempos, tanto os do setor privado como da administração pública", sublinhou ainda Arménio Carlos.
Questionado pelos jornalistas sobre se houve ou não excessos na manifestação de sexta-feira, na Covilhã, no protesto contra o ministro da Economia, Arménio Carlos defendeu o direito à manifestação, qualificou de “terrorismo social” existirem trabalhadores que “não recebem salário” e sublinhou que “o maior excesso que pode ser feito em Portugal” é haver trabalhadores sem receberem o salário ou jovens que ocupam “um posto de trabalho permanente” e estão com vínculo precário “há oito, nove, dez anos”. O secretário-geral da CGTP interrogou: “Então não querem que as pessoas que estão a ser vítimas deste sofrimento se manifestem?” e frisou “violência é aquela que hoje acontece em muitos locais de trabalho, uma violência física, uma violência financeira e, já agora, é uma violência psíquica, é terrorismo social quando as pessoas trabalham e não recebem salário."