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Índia: corrupção estremece governo

Escândalo da venda ilícita de licenças de telemóveis já levou à prisão de um ministro e pode envolver o chefe do governo. Sondagem de opinião pública revelou que a indignação da população indiana com relação à corrupção e à alta inflação atingiu o limite do tolerável.
Primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.

Os agentes do Serviço Central de Investigações fizeram uma rusga na TV Kalaignar, em busca de provas sobre o escândalo da venda ilícita de licenças de telemóveis.

Desde que se tornou público, o caso já levou à prisão, em 2 de Fevereiro, de A. Raja, ministro de telecomunicações do gabinete do primeiro-ministro, Manmohan Singh, que está na mira das acusações de envolvimento desse caso de corrupção.

Singh nega, obviamente, ter participação no caso, e atira a responsabilidade para os ombros do seu ministro de telecomunicações, que se encontra preso. A TV Kalaignar pertence a uma família que lidera o Partido DMK (Dravida Munnetra Kazhagam, Federação para o Progresso Dravidiano), do estado de Tamil Nadu, que faz parte da coligação política que sustenta Singh.

Uma recente sondagem de opinião pública revelou que a indignação da população indiana com relação à corrupção e à alta inflação atingiu o limite do tolerável. Não é à toa que Singh, chamado actualmente pelo povo de “pato na lama”, teve de sair em defesa pública dizendo que faz de tudo para levar o país adiante. Singh é representante da dinastia Gandhi, que dirige a política do país. Durante a semana, foi veiculada a notícia de que Sonia Gandhi e o seu marido possuem contas em bancos suíços, facto que negou, mas que não deixa de indignar a opinião pública.

A Índia, que ocupa hoje um papel importante no cenário mundial, vive em guerra civil. Ainda que a economia indiana tenha o maior índice de crescimento económico entre todos os países, isso não elimina as contradições internas actuais e herdadas de seu passado histórico. A Índia é um dos países mais complexos. Pode-se dizer até que são vários países dentro de um só. A possibilidade de que vá passar por uma convulsão social no próximo período é bastante real, principalmente pelo facto de que possui o proletariado mais jovem do globo, que tem motivos de sobra para sair à luta defendendo os seus direitos económicos, sociais e políticos.

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