O Banco Comercial Português foi multado pela segunda vez por parte da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) por factos relacionados com a utilização irregular de sociedades sediadas em “offshore”. A CMVM detectou transacções com acções suspeitas e fez perguntas ao banco, mas este prestou informações falsas. A entidade de supervisão aplicou uma multa de 250 mil euros ao banco.
Depois de ter aplicado uma coima de cinco milhões de euros ao banco por prestação de informação financeira falsa, agora a entidade de supervisão aplicou uma pena de 250 mil euros à instituição por ter mentido à CMVM.
Em causa está o facto de o banco ter prestado informação falsa ao supervisor quando este fez perguntas sobre as movimentações com acções do BCP realizadas por diversas “offshores” sediadas em Cayman, na altura em que a instituição era liderada por Jorge Jardim Gonçalves.
Segundo disse ao Jornal de Negócios o presidente da CMVM, Carlos Tavares, o banco terá respondido que eram operações realizadas em nome de clientes.
A entidade “detectou transacções com acções suspeitas, fez perguntas ao banco, mas este prestou informação falsa”, disse Carlos Tavares.
As transacções com acções do BCP realizadas entre 1998 e o final de 2004, através de 17 “offshores”, estão ainda na origem de contra-ordenações desencadeadas pelo Banco de Portugal contra antigos administradores do BCP e do processo judicial que levou o Ministério Público a acusar 5 ex-gestores – Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues e António Castro Henriques – dos crimes de manipulação de mercado, falsificação de documentos e burla qualificada.