ACUSAÇÕES DE CAROLINA SALGADO PODEM REABRIR CASO
O Departamento de Investigação e Acção Penal pretende ouvir a ex-companheira de Pinto da Costa, Carolina Salgado, sobre as revelações que faz no seu livro. Em causa está a alegada agressão encomendada por Pinto da Costa ao vereador de Gondomar, Ricardo Bexiga, e a fuga de informação que permitiu ao presidente do FC Porto sair de Portugal para evitar a sua detenção no âmbito do processo "Apito Dourado".
Segundo o Correio da Manhã, Carolina Salgado está disposta a solicitar o estatuto de arrependida para poder colaborar com as autoridades judiciais. As suas declarações podem fazer com que sejam reabertas várias certidões que tinham sido arquivadas à espera da produção de melhor prova. Os indícios conseguidos com as declarações de Carolina Salgado podem revelar-se suficientes para acusar Pinto da Costa como líder de associação criminosa para falsear os resultados da Super Liga de futebol.
Em declarações ao «Diário de Notícias», o Procurador-geral da República afirmou que pretende efectuar um "análise global" do processo "Apito Dourado". Atendendo à dimensão social do fenómeno do futebol, Pinto Monteiro convocou o procurador titular dos autos para uma reunião. Hoje mesmo começa a instrução do processo "Apito Dourado", com a audição do único arguido que não está relacionado com o futebol, o ex-vereador da câmara de Gondomar, Leonel Viana.
Na abertura da Convenção autárquica de Lisboa do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã referiu-se à promiscuidade entre as câmaras municipais, empreiteiros e clubes de futebol. A corrupção, assente neste triângulo, põe em causa a democracia e "está a aumentar, não está a diminuir". A solução, para o Coordenador da Comissão Politica do Bloco de Esquerda, é apenas uma. "Seguir a pista do dinheiro, ir atrás dele, ir atrás do seu registo", numa alusão às propostas anti-corrupção entregues pelo Bloco de Esquerda na Assembleia da República e que prevêem, nomeadamente, o levantamento do sigilo bancário.